A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 14/09/2020

Na série “Coisa Mais Linda”, Lígia é proibida de trabalhar pelo marido. Thereza, por sua vez, trabalha em uma revista, porém tem que lidar com o machismo e o sexismo todos os dias. Apesar de se tratar de uma ficção essa já foi a realidade de muitas mulheres brasileiras, contudo, tais situações ainda permeiam a vida contemporânea. Nessa perspectiva, é possível perceber que apesar de a modernidade possibilitar avanços aos direitos femininos, estar inserida no mercado de trabalho ainda é um desafio.

Primeiramente, é notável que, desde a formação do Brasil colonial, as mulheres sempre foram subjugadas e tiveram a sua figura sobreposta pela dos homens, que determinavam seus papeis e valores na sociedade. Partindo dessa referência, vê-se que o reflexo daquele período conduziu às diferentes formas de preconceito que elas sofrem na contemporaneidade, que se expressam por meio de menores salários para as mesmas funções exercidas pelos homens, até mesmo, do assédio moral e sexual.

Ademais, ressalta-se, ainda, a ineficiência do Poder Público com fiscalização dos ambientes de trabalhos que transgridem as prerrogativas jurídicas corroboradas pela Constituição Federal de 1998 , na qual garante a todos os cidadãos ,que ocupam o mesmo cargo e exercem a mesma função, um equilíbrio salarial. Essas premissas jurídicas se tornam a margem da sociedade a partir do momento em que os valores e costumes culturais advindos de uma sociedade patriarcal preconceituosa, onde o papel da mulher se limitava em cuidar da casa, ainda é fortemente presente na cultura brasileira.

Sendo assim, diante dos argumentos supracitados, medidas são indispensáveis para a alteração do cenário vigente. Para tanto, é fundamental que o Ministério do Trabalho, juntamente com os Governos Municipais, atue incisivamente no cumprimento da lei referente à equiparação salarial e no estímulo à realização de denúncias em casos de assédio, por meio da criação de comitês municipais que investiguem periodicamente e punam os estabelecimentos que não cumprem as diretrizes trabalhistas, com o fito de promover uma maior igualdade de direitos não só nessa esfera, mas em todos os âmbitos do país, além de valorizar a mão de obra feminina e estimular a sua incrementação no mercado formal. Desse modo, será possível assumir novas perspectivas sociais, cada vez mais diferentes daquelas vivenciadas pelas sufragistas.