A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 17/09/2020

No contexto da Revolução Industrial, a crescente urbanização e industrialização no Brasil tornou necessária a inserção da mulher no mercado de trabalho. Com a maior demanda por mão-de-obra, as mulheres passaram a assumir posições antes ocupadas somente por homens. Assim, pouco a pouco, as aspirações de vida dessas mulheres passam a extrapolar a vida domiciliar, invadindo a área empregatícia e acadêmica. No entanto, apesar do espaço conquistado, elas ainda enfrentam desrespeitos aos seus direitos trabalhistas, como a disparidade salarial e a discriminação, que refletem a perpetuação da desigualdade de gênero nesse meio desde o primeiro momento.

Embora as mulheres tenham conquistado uma legislação trabalhista igualitária, que as garantem direitos como a isonomia salarial e a licença-maternidade, nota-se que, na prática, essas medidas ainda não são cumpridas por muitos empregadores. Apesar de serem mais qualificadas profissionalmente e terem mais tempo de estudo, as mulheres ainda ganham menos e ocupam cargos inferiores aos dos homens. Esse fato se evidencia a partir de uma pesquisa realizada pelo IBGE, que, ao avaliar a estrutura do mercado de trabalho, indica a presença da discrepância salarial entre homens e mulheres que possuem a mesma função. Dessa forma, fica claro que a manutenção dessa mentalidade sexista no ramo trabalhista tende a desvalorizar a capacitação dessas mulheres e as mantêm em postos precários e informais, desperdiçando o potencial de ascensão profissional dessas cidadãs.

Além disso, outro obstáculo enfrentado no âmbito empregatício é a discriminação, manifestada pelo assédio sexual e moral. Muitas vezes, devido à hierarquia presente nas empresas, as mulheres que têm cargos inferiores são expostas a situações constrangedoras e comportamentos indesejados de forma sexual. Nesse sentido, por conta da sua menor visibilidade no ambiente de trabalho, elas são desencorajadas a realizarem denúncias e podem se afastar de suas funções. Com isso, se reforça a desigualdade encarada pelas mulheres, que, além de terem salários menores, são desvalorizadas independentemente das suas competências e estão sujeitas a abusos em seu ofício.

Por fim, ressalta-se a importância da valorização das mulheres no mercado de trabalho. Para minimizar tais injustiças, o Ministério do Trabalho deve, por meio de campanhas publicitárias nas mídias digitais e impressas, informar a respeito dos direitos trabalhistas da mulher, de modo a incentivar a denúncia de desrespeitos. Ademais, cabe a esse mesmo agente governamental ampliar as multas para as empresas que não cumprirem o artigo 7º da Constituição Federal, que garante a isonomia salarial independente do sexo. Dessa maneira, as mulheres serão devidamente contempladas por seu trabalho qualificado e, então, a desigualdade de gênero nesse meio poderá ser combatida efetivamente.