A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 08/11/2020
A crescente urbanização e industrialização brasileiras do século XX, acentuadas no governo de Juscelino Kubitshek, na década de cinquenta, foram acompanhadas pela maior inserção feminina no mercado de trabalho. Embora, tenham se passado sessenta anos, o Brasil não refletiu quantidade em qualidade e o que se vê, correntemente, é uma desigualdade entre os sexos nos escritórios e fábricas. A situação, afinal, é fruto de outras desigualdades e não pode ser analisada fora desse contexto.
Neste sentido, o machismo é o principal motor da iniquidade feminina nos postos empregatícios. Em uma perspectiva histórica, remete-se aos romances do Romantismo brasileiro, que ao retratarem o cotidiano burguês, buscavam entreter as mulheres reclusas nos lares. Sob o mesmo ponto de vista, o século XX do país será marcado pelas influências europeias da primeira geração feminista, a qual, igualmente sob a óptica burguesa, fitava a ascensão feminina no labor formal. Esse público branco, porém, já contrastava com as mulheres negras brasileiras, que segundo o sociólogo Jessé Sousa, demonstraram o poder feminino como domésticas ao sustentarem famílias. Outrossim, cada vez mais lares são mantidos financeiramente por mulheres como essas e, ainda assim, passíveis de um machismo que se torna insustentável. Assim, se o homem já não sustém as mulheres românticas e, ainda assim, mantêm controle, o tema discutido não pode negar o machismo implícitos nas análises.
Em outras palavras, um olhar crítico não permite coincidências. A mulher brasileira, então, raramente escolhe profissões menos valoradas socialmente, ao acaso. Anteriormente, de acordo com um psicólogo americano em entrevista à BBC (“British Broadcasting Company”), pesam sob meninos e meninas o estereótipo machista da maior aptidão das últimas à leitura, enquanto os primeiros são mais hábeis no trato matemático. Ou ainda, novamente pelo remeter de uma eventualidade, justificam-se os baixos salários das trabalhadoras, as quais, quando comparadas a dos homens de mesma qualificação, trabalhariam, segundo reportagem da mesma rede britânica, dois meses gratuitamente. Na realidade, obliteram-se fatores como a rápida progressão da carreira masculina, livres de uma licença paternidade. Indubitavelmente, o machismo assenta-se no cotidiano da lida fêmea. O Brasil, em última análise, deixa de qualificar uma mão de obra gigantesca pelo atraso intelectual e cidadão.
Em suma, machismo e trabalho mulheril imiscuem-se em uma conexão inegável e explicitada por um simples debate de fatos cotidianos. Nesta hora, micro mudanças são essenciais. Como na Finlândia, os parlamentares deveriam legiferar sobre a licença paternidade, por meio de debates com associações feministas, a fim de igualar, a partir da criação compartilhada dos filhos, as condições de trabalho entre os sexos. Mais especificamente, uma comissão trabalhista reuniria os deputados.