A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 10/11/2020
Immanuel Kant, grande pensador da Era Moderna, defende a igualdade entre homens e mulheres perante o dever moral. Para o filósofo, ambos os gêneros têm importância significativa e igualitária diante da sociedade. No entanto, a mulher brasileira ainda enfrenta desafios no mercado de trabalho para experimentar deste ideal. Essa realidade se deve, essencialmente, a um fator cultural cujo machismo é operante, bem como de uma negligência estatal frente ao caráter democrático do Brasil.
Em primeiro plano, pode-se apontar as raízes fixas de uma sociedade patriarcal como um dos causadores do problema. Nesse ínterim, contrareando a célebre frase de Simone de Beauvir: “Não se nasce mulher, torna-se,” a cultura brasileira, em grande parte, prega que o sexo feminino tem a função social de se submeter ao masculino, independentemente de seu convívio social capaz de construir um ser como mulher livre. Sob esse viés, as piadas machistas, assédios sexuais e a falta de oportunidades para a classe feminina são neutralizados, sendo decorrentes de uma ditadura patriarcal ainda existente, a qual corrobora para as desigualdades entre gêneros no espaço laboral. Diante disso, rever as situações as quais as mulheres são submetidas é indispensável para a construção de uma sociedade mais culta e igualitária.
Além disso, é preciso pontuar as indiligências governamentais diante das mulheres no país. A esse respeito, segundo uma pesquisa divulgada pelo site de empregos Catho revela que 52% das mulheres recebem um valor salárial inferior ao dos homens, haja vista que executam a mesma função. A partir desse dado, é possível vizualizar o preconceito que as mulheres enfrentam em suas carreiras e como seu trabalho é desvalorizado. Dessa forma, tal desigualdade fere o caráter democrático do país, pois, de acordo com o Artigo 5° da Constituição Federal, todas as pessoas, independente de seu gênero, são iguais sob a ótica da democracia. Assim, faz-se necessário um olhar democrático para as condições femininas.
Portanto, é mister que o Estado tome providências que amenizem o quadro. Acerca disso, o Governo Federal, como instância máxima dos aspectos sociais deve, por meio de verbas governamentais, criar campanhas midiáticas e televisivas, as quais sejam capazes de desconstruir o patriarcado social enraizado historicamente, com objetivo de valorizar a mulher e sua igualdade em sociedade. Ademais, cabe ao Ministério do Trabalho elaborar uma diretriz que exija dos estabelecimentos, sob pena de multa e sanções a equidade salarial, garantindo assim, que a democracia e o fundamento constitucional seja uma realidade próxima das brasileiras. Dessa forma, o modelo social proposto por Kant será alcançado pelo Brasil.