A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 03/02/2021

No longa-metragem estadunidense “Estrelas Além do Tempo”, três cientistas, mulheres e negras, apesar de todo o preconceito e desconfiança que sofrem, e da dificuldade para serem aceitas naquele trabalho, desempenham um papel fundamental na vitória norte-americana sobre a União Soviética. Fora da ficção, no mercado de trabalho brasileiro, ainda atualmente, muitas mulheres sofrem com essa mesma discriminação. Nesse sentido, evidencia-se que o patriarcado instaurado na sociedade, assim como a falta de representatividade feminina em cargos públicos são fatores que corroboram a problemática em torno das dificuldades encontradas por mulhers no mercado de trabalho nacional.

Em primeiro plano, o pensamento patriarcal, ainda existente, influencia diretamente no mercado  ocupacional trabalhista e sua dinâmica de gêneros. De acordo com o Fórum Econômico Mundial, o Brasil é o 2º país das Américas onde há a maior desigualdade salarial entre homens e mulheres. Desse modo, pode-se observar como esse sistema socioeconômico, mesmo em um mundo globalizado e muito mais informado, ao se comparar com décadas passadas, persiste em promover a desvalorização feminina no âmbito empregatício, ainda que apenas com base em sua ideologia. Ademais, infere-se também quão fracas são as políticas de combate a essa prática, visto que o país encontra-se mal posicionado nesse ranking desde a sua criação e não mostra uma grande evolução.

Outrossim, o pequeno número de mulheres em cargos públicos importantes também perpetua a dificuldade de assegurar seus direitos trabalhistas. Segundo a Procuradoria da Mulher no Senado, menos de 13% dos cargos políticos foram preenchidos por mulheres na última eleição, o que representa um número muito baixo. Dessa forma, nota-se como a ausência de maior representatividade feminina em grandes cargos, tanto em nível nacional, quanto municipal ou estadual, tem influência negativa no cenário trabalhista brasileiro, uma vez que contribui para a desvalorização da figura da mulher. Logo, é necessário que, buscando uma maior valorização das mulheres no mercado de trabalho, medidas sejam tomadas para combater o patriarcado e gerar mais representatividade.

Portanto, urge que os líderes do país, vendo a atual situação em torno das mulheesr no mercado de trabalho, concretizem medidas de combate à problemática em questão. Para isso, o Ministério da Economia - órgão responsável pelas Secretarias do Trabalho - deve criar o “Plano de Valorização da Mulher no Trabalho”, pelo qual, por meio de projetos de leis e parcerias público-privadas, estabeleça uma nova relação entre horas trabalhadas e salário, e estabeleça também uma obrigatoriedade mínima de mulheres nas empresas, a fim de igualar os direitos entre os dois gêneros e diminuir o preconceito sofrido pelas mulheres, como o ocorrido em “Estrelas Além do Tempo”.