A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 12/08/2021
A Constituição Federal de 1998, no art. 5º, “caput”, assegura que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza.” Entretanto, a realidade enfrentada pelas mulheres é completamente diferente, principalmente no mercado de trabalho. Dessa forma, não só o sexismo existente desde a antiguidade, mas também a disparidade salarial alarmante, evidenciam a assimetria no tratamento dado à elas em relação aos homens no ambiente profissional. Diante desse cenário, torna-se indispensável uma reforma nas condições de trabalho oferecidas, assim como atenuar a discriminação sexual.
Em primeira análise, as lutas feministas ao longo da história estão associadas a décadas de desigualdades de gênero e opressões não apenas físicas, mas também psicológicas causadas por uma sociedade predominantemente patriarcal, na qual as mulheres estavam limitadas a trabalhos domésticos. Apesar disso, houveram diversas conquistas a favor dessas como o direito de estudar e frequentar universidades. Todavia, de acordo com uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mesmo possuindo mais diplomas, as elas receberam 77,7% do salário dos homens em 2019, exercendo a mesma função. Diante de tal contexto, é de grande urgência que a sociedade brasileira se questione das grandes diferenças salariais, definidas apenas pelo sexo, nos dias atuais.
Além disso, a responsabilidade quase duas vezes maior por afazeres domésticos permanece como fator limitador para o sexo feminino, pois tende a reduzir a ocupação das mulheres ou a direcioná-las para serviços menos remunerados. Ainda de acordo com os dados do IBGE, semanalmente, são 21,4 horas gastas por mulheres, enquanto os homens dedicam apenas 11 horas do tempo para tarefas de casa. Os dados mostram, portanto, que a inserção feminina no mercado é dificultada também pela necessidade de conciliação da dupla jornada. Desse modo, o mercado de trabalho é mais desfavorável para o sexo feminino por questões histórico-sociais persistentes na cultura brasileira.
Em virtude dos fatos mencionados, é imprescindível que medidas sejam tomadas para solucionar o desfavorecimento da mulher no mercado de trabalho. Nesse sentido, o Ministério da Educação deve criar projetos para conscientizar os jovens sobre a valorização da mulher no mercado de trabalho, mediante a palestras ministradas por profissionais, a fim de terminar com a cultura do machismo na sociedade a longo prazo. Bem como, o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, ponha em prática o direito a igualdade de gênero, estabelecendo multas severas às empresas que excluam ou trate com diferença essa parcela da população.