A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 06/09/2021

No século XVIII, a Revolução Industrial iniciou a inserção tardia de mulheres no mercado de trabalho. No entanto, as condições profissionais femininas nunca se igualaram aos privilégios usufruídos pelos homens em ambientes de produção, causando inúmeros efeitos negativos para as mulheres que se perpetuam até a atualidade. Dessa forma, torna-se imperioso o debate acerca das causas e consequências  econômicas e sociais originadas pela a lenta entrada feminina no mercado trabalhista.

Em primeira análise, é fundamental apontar a perpetuação do modelo patriarcal de sociedade como agente causador da problemática. Nessa perspectiva, segundo a filósofa francesa Simone De Beauvoir, o mais escandaloso do escândalos é a população se habituar a eles. Sob essa ótica, apesar da modernização da sociedade ao longo do tempo, a consciência geral acerca da presença feminina no ambiente de trabalho ainda normaliza a desigualdade de tratamento entre homens e mulheres nesse âmbito, assim como ocorria na Revolução Industrial. Nesse contexto, acontece a normalização do desequilíbrio salarial entre os gêneros, além do preconceito contra as mulheres em altos cargos profissionais. Fica claro, pois, que o prejulgamento prevalece.

Em segunda análise, deve-se discutir as consequências da manutenção dos ideias ultrapassados pela presença feminina no mercado trabalhista. Nesse horizonte, o filme “Estrelas Além do Tempo”, retrata a história de 3 mulheres negras que trabalharam como cientistas da NASA durante a corrida espacial. Na trama, as protagonistas precisam provar, em diversas ocasiões, suas capacidades para que mantenham suas profissões. Não distante da produção, o preconceito contra as mulheres no trabalho e  a constante desvalidação de seus feitos resulta em problemas de confiança e baixa autoestima, que podem levar à depressão e ansiedade. Ademais, o desafio de ser valorizada na profissão se torna ainda mais difícil para mulheres negras, motivo pelo qual elas são as principais afetadas pelo desemprego. Logo, é inadmissível que esse cenário perdure.

Portanto, faz-se necessária a participação do Estado no combate as desigualdades de gênero no mercado de trabalho. Para tanto, é dever do Legislativo formular uma lei que tenha como objetivo garantir a equiparação salarial. Essa ação deverá ser efetivada pelas Câmaras Municipais, que estabelecerão punições para a desvalorização feminina no ambiente de trabalho. Além disso, tal ação deverá ser divulgada na mídia para contribuir com a desconstrução da consciência patriarcal ultrapassada persistente na comunidade. Desse modo, a presença feminina no mercado de trabalho será justa e as mulheres não sofrerão mais com as provações de capacidade e mérito, como ocorreu com as estrelas além do tempo.