A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 21/09/2021
Gregório de Matos, poeta luso-brasileiro, ficou conhecido como “Boca do Inferno”, por denunciar, de maneira ácida, os problemas que assolavam o século XVII. Sob esse viés, talvez, hodiernamente, ao se deparar com a situação da mulher brasileira no mercado de trabalho, o autor produziria críticas a respeito, uma vez que essa realidade reflete uma desigualdade de gênero presente no meio coletivo, assim evidenciando uma grande mazela social que precisa ser extinguida, pois ela deturpa a harmonia comunitária e rompe com a visão de uma sociedade igualitária. Portanto, é mister anuir que o legado histório-cultural, adjunto ao descaso do Governo, são os fatores para cristalização desse revés.
Em primeira instância, é fulcral assentir que o papel da mulher brasileira no mercado de trabalho é condicionado por uma estrutura patriarcal consolidada historicamente no meio coletivo, a qual favorece os homens, pois esses assumem cargos relevantes com salários exorbitantes, enquanto as mulheres são colocadas em cargos inferiores com um cachê reduzido. Nesse contexto, essa realidade abjeta é fruto da influência do legado histórico-cultural, haja vista que, segundo o filósofo Pierre Bourdieu, comportamentos caracterísitcos de uma época, tendem a serem naturalizados e, consequentemente, reproduzidos ao longo das gerações. Destarte, é explícito a desigualdade de gênero, a qual precisa ser erradicada, em prol de garantir uma sociedade justa e coesa, sem discriminação e que possa ofertar iguais oportuidades e benefícios as pessoas, principalmente no que tange ao ambiente profissonal.
Em segunda análise, urge ratiticar que o poder público se torna responsável pelo cenário excruciante, tendo em vista que, ao não se mobilizar para combater o empecilho, ele se tornou complacente. Dessa maneira, contribuindo para o progresso dessa adversidade na sociedade, ignorando sua obrigação com o povo brasileiro de garantir o bem-estar coletivo. Sob essa óptica, impende atribuir ao Estado o conceito de “Instituiçãco Zumbi”, o qual foi criado pelo sociólogo Zygmunt Bauman, para definir as instituições que não cumprem com suas funções e, no entanto, mantem sua forme. Ademais, há uma violação constituição de 1988, em razão da clara desigualdade presente no corpo social, pois ela acaba comprometendo os direitos prometidos, afetando negativamente a vida das pessoas.
Dessarte, para evitar um cenário semelhante ao do século XVII, o qual era vítima das críticas de Gregório de Matos, far-se-á que o Governo, como instância máxima da administração executiva, elimine a estrutura patriarcal, além de incentivar e garantir a presença de mulheres no ambiente profissional, por meio de reforma no mercado de trabalho apoiada pelo estado, a qual oferte iguais oportunidades e busque romper com atitudes patriarcais, valorizando a presença feminina nesse espaço. Desse modo, corroborando o bem-estar social e a visão de uma sociedade justa e coesa, sem discriminação.