A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 30/03/2022
A escritora francesa, Simone de Beauvoir, em sua aclamada obra “O segundo sexo”, acreditava que a melhor forma de igualar as liberdades femininas às masculinas era através do trabalho. No Brasil muitos direitos já foram conquistados por e para mulheres, entretanto a barreira não se limita a esfera econômica, mas também a aspectos culturais. Nesse sentido, é imprescindível uma análise dos entraves ainda existentes à maior participação das mulheres brasileiras no mercado de trabalho, seguida da busca de solução adequada para tais.
Em primeiro lugar, quanto aos entraves culturais, as mulheres mesmo já tendo atingido 44% do mercado de trabalho formal - Dados do Ministério do Trabalho em 2016 - ainda lidam com demandas sociais. A exemplo disso, as mulheres, além do maior julgamento moral, ainda sofrem a pressão à maternidade e ao trato do lar, não apenas como opções, mas imposições socioculturais, que fomentam jornada dupla e desgaste pessoal e profissional.
Ademais, o labor feminino já moralmente dobrado, portanto, frequentemente mais desgastado, não é, muitas vezes, apreciado e remunerado tal qual o masculino - como expresso no site ibccoaching. Nesse aspecto a realidade contradiz a própria “Constituição Cidadã” de 1988, que em seu artigo 7º destaca a igualdade trabalhista. Sobre essa ótica, Dante na obra “Divina Comédia” de Victor Hugo, entoa: “As leis existem, mas quem as aplica?”, uma crítica a falha dos homens em aplicar suas próprias leis, que nesse caso demonstra a falha em dignificar as mulheres com justo valor.
Diante do exposto, não basta promover o trabalho feminino como proposto por Beauvoir, é preciso promover a igualdade cultural e moral para dignificar a mulher brasileira no mercado de trabalho. Para isso é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Cultura, por meio de ação publicitária através de panfletos e vídeos educacionais, fomente consciência, interesse e necessidade da participação plural nas relações domésticas e parentais, e condenem desigualdade salarial e incompreensão da jornada dupla de forma cultural. Dessa maneira a mulher estará mais respeitada no mercado de trabalho e terá mais igualdade na sociedade.