A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 01/04/2022
Na obra “Ensaio sobre a cegueira”, o escritor José Saramago ressalta a importancia de se ter olhos quando todos os perderam. Revela-se, sob essa óptica uma problematica intrínseca na sociedade, que impede o indivíduo de enchergar problemas como a situação da mulher brasileira no mercado de trabalho, seja devido a questão cultural patriarcal ou por falta do Estado em combater as desigualdades de gênero.
Neste contexto, segundo o sociólogo Jessé Souza, o Brasil vive um problema estrutural histórico, onde a mulher foi vista como “boneca de reprodução”, de maneira sádica e propriedade do homem colonial. Outro ponto, é que mesmo com a entrada das mulheres no mercado de trabalho após a Segunda Guerra Mundial, os trabalhos domésticos e cuidados com os filhos continuaram sendo vistos como exclusivos da mulher. Assim, conforme demonstrado na série da Netflix “Explicando”, as mulheres acabam por ficar 8 anos atrás dos homens em relação a carreira e ainda são vistas como menos responsáveis no trabalho por pensarem muito na família, conforme entrevista com Hilarry Clinton na série.
Ademais, foi divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para Infância, que devido a pobreza menstrual no Brasil, muitas meninas não tem acesso a banheiros com água ou itens de higiene pessoal durante esse periodo. Como consequencia além de ficarem doentes, essas meninas deixam de ter em média 45 aulas por ano, além do estresse e sofrimento mental por falta de informação a respeito da menstruação.
Portanto, diante do que foi exposto, medidas precisam ser tomadas para que haja fim essa cegueira social que Saramago aponta em seu livro. Cabe ao Estado, por meio de políticas públicas e com fundos do Executivo, financiar a distribuição de absorventes pelo SUS e em escolas públicas. Também cabe ao Ministério da Educação, fomentar discuções sobre desigualdade de gênero nas escolas e educação sexual de forma a orientar as meninas adolescentes sobre as mudanças em seus corpos. Assim, talvez a mulher no mercado de trabalho brasileiro seja vista como protagonista de sua história.