A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 13/09/2022

Em 2022, completados seus 34 anos, a Constituição da República Federativa do Brasil, de 1988, assegura, em seu artigo sexto, os direitos sociais, em especial o do trabalho, de mulheres e homens, iguais em direitos perante a lei. Nesse prisma, destacam-se dois aspectos importantes: o modelo econômico e sua influência no trabalho em saúde da mulher.

Ademais, é indubitável que as origens do capitalismo, segundo Silvia Federici, filósofa contemporânea, se devem a subjulgação das mulheres, a escravidão, na exploração das colônias e a naturalização da violencia. Desse modo, a filósofa argumenta que o trabalho não remunerado, especialmente o das mulheres confinadas ao ambiente doméstico e o dos trabalhadores escravizados, foi o suporte do trabalho assalariado e sem valor. Portanto, a reflexão sobre as diferentes continuidades e descontinuidades das expressões do capitalismo no trabalho, se faz necessária para entender o seu processo evolutivo.

Outrossim, a notória participação feminina no mercado de trabalho em saúde no Brasil, há mais de três décadas, se deve ao protagonismo de figuras marcantes, como Rita Lopes, a primeira mulher formada no ensino superior pela Faculdade de Medicina da Bahia, em 1887. Lopes, contribuiu não só como médica, mas como ativista dos movimentos feministas e defensora da inclusão. Dessa forma, conforme dados da Demografia Médica no Brasil de 2020, às mulheres já presentam 46% do quadro atual, difença significativa comparada a época de Rita. Sendo assim, compreender a expansão da participação feminina no mundo do trabalho em geral serve de caminho para entender as especificidades do sertor de saúde, responsável por um contingente espressivo de cargos ocupados pela mulher.

Em vista dos fatos supracitados, faz-se necessária a adoção de medidas que venham a ampliar o acesso da mulher ao mercado de trabalho. Por conseguinte, cabe ao Ministério da Educação, fazer programas inclusivos, por meio de intervenções nas escolas de ensino médio, a fim de que o diálogo construtivo sobre o papel da mulher trabalhadora esteja presente.