A mulher brasileira no mercado de trabalho

Enviada em 31/10/2022

A escritora francesa Simone de Beauvoir, em sua aclamada obra “O Segundo Sexo”, acreditava que a melhor forma de igualar as liberdades femininas às masculinas era através do trabalho. No Brasil, muitos direitos já foram conquistados por e para mulheres, entretanto, a barreira não se limita a esfera econômica, mas também aos aspectos culturais. Nesse sentido, é imprescindível uma análise dos entraves ainda existentes à uma maior participação das mulheres brasileiras no mercado de trabalho, e a busca por uma solução adequada.

Em primeiro lugar, quanto aos entraves culturais, mesmo com mulheres já tendo atingido 44% do mercado de trabalho formal - Dados do Ministério do Trabalho em 2016 - elas ainda lidam com demandas socioculturais. A exemplo, as mulheres, além do maior julgamento moral, ainda sofrem a pressão à maternidade e ao trato do lar, não apenas como opções, mas imposições que fomentam uma jornada dupla e desgaste pessoal e profissional.

Ademais, esse trabalho feminino já moralmente dobrado, assim mais desgastado, não é, muitas vezes, apreciado e remunerado tal qual o masculino - como expresso no site ibccoaching. Nesse aspecto a realidade contradiz a própria Constituição Cidadã de 1988, que, em seu artigo 7º, destaca a igualdade trabalhista. Sob essa ótica, Dante, na obra “Divina Comédia” de Dante Alighieri, entoa: “As leis existem, mas quem as aplica?”, uma crítica, que neste contexto, traz a idéia da falha em dignificar as mulheres, mesmo sob previsão constitucional.

Diante do exposto, não basta promover o trabalho feminino como proposto por Beauvoir, é preciso promover uma igualdade cultural e moral para dignificar a mulher brasileira no mercado de trabalho. Para isso, é necessário que o governo federal, por meio de seu Ministério da Educação e Cultura, promova a criação de ação publicitária. Tal campanha deve fazer uso de panfletos e vídeos educacionais, fomentando consciência pública ao explicar a necessidade da participação plural nas relações domésticas, seus benefícios, e os dramas de sua não adoção. Por meio dessa ação será nutrida na população a igual valorização dos afazeres domésticos e externos. A empatia promovida é chave para a equalização das mulheres no mercado de trabalho.