A mulher brasileira no mercado de trabalho
Enviada em 30/03/2023
Segundo o sociólogo Zigmunt Bauman “nenhuma sociedade que se esquece da arte de questionar, pode encontrar respostas para os problemas que a afligem”. Com base nesse viés, contextualiza-se a necessidade de não negligenciar a desigualdade salarial de gênero no atual mercado de trabalho brasileiro, onde as relações de trabalho e remuneração são inversamente proporcionais. Dessa forma, a problemática persiste não só pela indulgência estatal, mas também pela sensação de superioridade masculina e sua bagagem histórica.
A princípio, é importante salientar o dever da máquina pública na proteção da cidadania e corpo civil. Isto porque, segundo a constituição federal, é função do estado via;bilizar os brasileiros a uma vida digna, justa e com o total cumprimento dos seus diretos. Todavia, essa tal responsabilidade não vem sendo honrada quanto ao combate a desequilibrada remuneração trabalhista entre os indivíduos do sexo feminino e masculino, mesmo as mulheres trabalhando muitas vezes mais que ao referido, entrando em um processo retrógrado a toda luta dessa classe ao longo dos séculos por respeito e a garantia de direitos. Assim, para que tal bem-estar seja usufruído, o governo precisa sair da situação de inércia que se encontra.
Ademais, é coerente apontar que a herança histórica é outro fator que impacta a questão. Para Lévi-Strauss, só é possível entender a sociedade por meio da análise dos eventos históricos e como eles nos influência até hoje. De fato, o passado explica boa parte do comportamento coletivo quanto a inserção da mulher no mercado de trabalho. No qual, outrora, não era muito comum e muito menos “bem-visto” a participação feminina nesse meio, justificada pela sensação de superioridade e o privilégio masculino na sociedade, malezas facilmente atreladas a essa desigualdade exposta. Desse modo, sem se desprender do legado que o passado deixou, o problema se perpetua.
Consoante ao apresentado, faz-se necessária uma intervenção. Para isso, o governo federal deve criar uma agenda social mais democrática e específica, por meio da destinação de recursos e projetos para essa classe desfavorecida, a fim de reverter a inercia estatal e, consequentemente, a desigualdade social que se estala no preconceito da diferença salarial entre gêneros. Tal ação, ainda, pode conter com pesquisas públicas para entender as reais necessidades dos envolvidos.. Dessa forma, é possível encontrar soluções eficazes para essa crise, como defendeu Bauman.