A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 18/10/2019

Na Grécia antiga, o ócio era considerado algo essencial para os cidadãos, pois era necessário refletir sobre as questões sociais e a partir disso praticar o exercício da cidadania e do papel político dos civis na sociedade. Nessa perspectiva, no limiar do século XXI, no Brasil, essa questão não é mais vista como algo fundamental para os cidadãos, uma vez que o ócio entre os jovens, que não estudam e nem trabalham, é considerado uma problemática no país.

No âmbito social a desigualdade social pode ser um dos fatores que intensificam o índice de jovens que não estudam e não possuem emprego. Essa questão pode ser associada com o levantamento de dados do Relatório de Desenvolvimento Humano (RDH), o Brasil ocupa a décima posição em ranking mundial referente ao índice de desigualdade no país. Nesse sentido, muitos adolescentes não  possuem acesso ao ensino adequado, pois muitas vezes as instituições de ensino sofrem com uma estrutura defasada e com a falta de professores, propiciando a falta de valorização da educação, uma vez que o próprio país não desenvolve um ensino acadêmico público de qualidade, e isso distancia a juventude brasileira de uma formação se ensino superior, além de intensificar a evasão escolar, dessa forma impulsiona a desqualificação profissional e afeta na empregabilidade desses jovens.

Além disso, as diferenças de gênero é um aspecto que deve ser considerado, uma vez que a mulher ainda sofre com o machismo, desigualdades salariais e desvalorização de função. Essa questão pode ser associada a uma das teses da escritora Simone de Beauvoir, em que ela entende que o trabalho diminuiria a distancia entre o homem e a mulher, sendo um paradoxo diante da realidade brasileira, visto que as mulheres, principalmente de baixa renda, compõem em maior quantidade os índices de jovens que não estudam e não trabalham de acordo com a pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Desse modo, as jovens brasileiras em muitos casos são obrigadas a desistir dos estudos e se desmotivam em conquistar um emprego por medo.

Portanto, é necessário mitigar o índice de jovens que não estudam e não trabalham no Brasil. Diante de tal impasse, é imprescindível que Estado elabore politicas públicas que versem sobre aplicação de verba nas escolas, com o intuito criar condições adequadas para um ensino qualidade para todos os jovens. Ademais, o Ministério da Educação interfira nas instituições de ensino público do país, através de projetos acadêmicos, com o objetivo de que os professores promovam fóruns de discussões em sala com os alunos, sobre a importância da qualificação acadêmica e profissional no século XXI, e a necessidade de combater as desigualdades de gênero no âmbito profissional priorizando a isonomia entre todos, além dos discentes auxiliarem no foco dos alunos para que não desistam dos objetivos.