A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 10/10/2019
Garfield era um personagem de um desenho popular na década de 90. Trata-se de um gato que tinha em comer lasanha sua única ocupação. De forma análoga, identifica-se no Brasil hodierno um considerável aumento de jovens que não se dedicam, nem aos estudos, nem às atividades laborais. Esse quadro deve ser prontamente combatido. Nesse sentido, destaca-se que a manutenção dessa disfunção social potencializará as desigualdades sociais e de gênero, além de contribuir com o aumento da criminalidade.
Mormente, deve-se apontar que são pessoas de baixa renda e mulheres a maioria dos que engrossam as fileiras desse exército de jovens sem ocupação. Tais sujeitos acabam por serem condenados a marginalização social. Segundo pesquisa do IPEA(Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), quase ¼ dos jovens do país estão neste limbo ocupacional. Dentre estes, a mulheres de classes menos afortunadas são a maioria. Portanto, considerando que uma formação acadêmica e inserção no mercado de trabalho são poderosos mecanismos de ascensão social, vislumbra-se um quadro onde haverá aumento das desigualdades e que as maiores vítimas serão as mulheres. Outrossim, o problema em análise é fruto de uma lógica excludente da sociedade pós-moderna, que fomenta condições propícias ao aumento da criminalidade no país. Nesse aspecto, Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, aponta que a modernidade líquida criou um novo tipo de pária: os sujeitos que não consomem. Sendo portanto, estas pessoas excluídas da engrenagem social, abre-se pressuposto para o aliciamento desses indivíduos pelo crime organizado que assola atualmente o país. Dessa forma, vislumbra-se o desdobramento dessa anomalia social fomentando o aumento da atividade criminosa. Dessarte, medidas são imperiosas para o combate desse problema, o qual tomou tamanha dimensão, que valeu a esta geração o codinome de “geração nem-nem”. Urge a necessidade do combate à evasão escolar através de programa técnico profissionalizante a ser desenvolvido nas escolas de ensino médio. Tal programa dará ênfase às unidades escolares localizadas em bairros periféricos e contará com a participação do empresariado local. Este programa permitirá o ensino técnico paralelo à grade curricular regular já ministrada aos alunos. Os empresários oferecerão vagas de estágios aos participantes em troca de isenções fiscais. Tal medida diminuirá o abandono dos estudos e catalisaria a entrada dos jovens no mercado de trabalho. Sendo assim, em vez de um exército de Garfields excluídos, teremos jovens produtivos e autônomos.