A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 11/10/2019
A alegoria da caverna, do filósofo Platão, descreve a situação de pessoas que se recusam a observar a verdade, a partir do mundo inteligível, em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. De modo análogo, percebe-se que, em pleno século XXI, a realidade brasileira caracteriza-se com impasses semelhantes no que diz respeito a grande porcentagem dos jovens que nem estuda e nem trabalha, na qual totaliza, aproximadamente, 23% desta população, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Diante disso, convém abordar os fatores que favorecem a persistência desse quadro problemático, a partir da análise social, além de mencionar a permanência de atitudes estigmatizadas de parte da sociedade.
Em primeiro plano, verifica-se que as desigualdades de acesso à educação são empecilhos estruturais para a alta prevalência da população nem-nem presentes no país. Neste sentido, entende-se que isso se deve, em partes, a má distribuição de renda, uma vez que, a grande maioria dos brasileiros é de classe baixa e média, adicionada à inaptidão do Governo em converter o alto valor agregado do Produto Interno Bruto (PIB) - superior a 5 % - em resultados que impactem positivamente a esfera social. Prova disso é que demais países, como Estados Unidos e União Européia investem PIB inferior nesse setor e obtém melhores padrões educacionais, de acordo com dados do IBGE. Desse modo, fica explícito a interdependência do acesso de qualidade à educação e a renda per capita.
Por conseguinte, identifica-se que entraves culturais como a estigmatização do termo geração nem-nem repercute negativamento, principalmente, na vida de jovens que não optaram por essa posição, sendo vítimas de uma sociedade desigual. Conforme o sociólogo Rawls, este menciona que deve-se tirar o véu da ignorância e promover uma distribuição justa de direitos através da equidade. Assim, é fundamental a desconstrução do termo, e a implantação de ferramentas públicas para combater os dados supracitados, no sentido de coibir os problemas econômicos e favorecer o aumento do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).
Fica claro, portanto, a necessidade de inserção de medidas para combater esse entrave. Para isso, o Governo Federal em parceria com Governo estaduais, devem ampliar a implantação de cursos técnicos profissionalizantes em áreas periféricas, com apoio de centros sociais na correta identificação desse público e com cotas pré-determinadas, com o intuito fragmentar a barreira de acesso à qualificação. Logo, essa expressiva população poderá sair da aparente e frustante zona de conforto abordada por Platão.