A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 12/10/2019
O sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman destaca que a juventude atual, mesmo sendo politicamente engajada, nunca enfrentou grandes desafios sociais como depressões econômicas e desempregos em massa. Desse contexto emerge o que talvez seria a primeira grande problemática vivenciada por esse grupo, isto é, o crescente número de jovens que nem estudam ou trabalham, no qual há um enfoque aos seus efeitos negativos sobre a sociedade, sobretudo em países emergentes como o Brasil. Nesse sentido, torna-se vital adotar uma postura de superação desse fenômeno seja por sus implicações ao jovem, seja por seus desdobramentos à economia nacional.
No que concerne ao primeiro ponto, é válido destacar que o jovem que não se vale de um ofício ou ocupação encontra-se à margem das decisões sociais e desalentado. Para elucidar esse ponto, vale trazer o pensamento do contratualista Thomas Hobbes, o qual define desalento como a tristeza oriunda da convicção da falta de poder. Posto isso, infere-se que, o sujeito que não exerce uma profissão ou ação de relevância à coletividade sente-se impotente e incapaz devido à ideia de que não possui nem um poder, encaixando-se a uma situação de vulnerabilidade. Por esse motivo, o jovem não se enxega útil e não desempenha seu papel opinativo e deliberativo nas questões de ordem social, submetendo-se ao julgo de outrem, o que impede a coesão social e a participação coletiva.
Já em relação ao segundo ponto, é relevante salientar as perdas do potencial econômico que o país sofre ao desperdiçar essa importante força de trabalho na sua população economicamente ativa. Acerca disso, é importante mencionar o que afirma o economista José Pastores, o qual defende ser importante observar o descompasso entre a mão de obra juvenil e o envelhecimento dos trabalhadores, de modo que, em um cenário de crescimento econômico, haveria dificuldades em preencher vagas. A partir disso, depreende-se que a não ocupação de jovens compromete o desenvolvimento econômico do país na medida em que a falta de preenchimento das vagas impede a consolidação de um mercado consumidor e consequentemente impacta na captação de recursos públicos.
Defronte ao apresentado, cabe uma reflexão acerca de medidas capazes de superar a problemática da não ocupação de jovens no Brasil. A respeito disso, o Ministério da Economia, em parceria com o Ministério da Educação, deve criar programas de profissionalização e empregabilidade dos jovens brasileiros baseado no pensamento do pedagogo John Dewey o qual defende que o estado deve educar os jovens a exercer uma função útil à sociedade. Isso pode ser feito por meio da interiorização dos institutos federais e do ensino técnico e ampliação do sistema “S”. Tudo com o objetivo de democratizar o acesso a formação, reduzindo o ócio entre os jovens para promover o desenvolvimento.