A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 21/10/2019

No Brasil, em decorrência da falta de criticidade de muitos cidadãos, tornou-se corriqueira a compreensão de que a população que não trabalha e nem estuda não afeta drasticamente a dinâmica atual. No entanto, embora essa perspectiva permaneça no senso comum, é preciso notar o quanto esse ponto de vista é ingênuo ao possibilitar que o indivíduo se isente da culpa e aponte culpados.

Entendimentos como “a falta de experiência é uma das causas da redução de jovens no mercado de trabalho” e “questões culturais, como o gênero, podem ter influência sobre esse problema” são simplistas. Porém, mesmo que elementares, essas ideias sobre a população “Nem-Nem” ressaltam dados da pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que indica que 23% dos brasileiros entre 18 e 24 anos fazem parte desse grupo. Em geral, quando a sociedade não se predispõe a assumir posturas críticas e sensatas, toda a atualização de valores fica propensa a exaltar padrões de conduta nocivos e desvirtuados que banalizam tal problema. Como se não bastasse, há de se atentar, também, à forma perniciosa como diversos segmentos sociais se comportam diante desse assunto, ao subestimar dados divulgados pelo estudo “Se já é difícil, imagina para mim…”, que apontam que 66% dos “nem-nens” latino-americanos são mulheres, refletindo questões de gênero.

Por conta disso, no debate acerca dos índices de jovens que não estão em situação laboral ou de ensino, é preciso enfatizar a urgência do investimento em um maior senso de corresponsabilidade coletiva. Dessarte, em consonância com as ideias da Teoria da Coesão Social, de Durkheim, e do poeta John Donne, não se deve perguntar por quem dobram os sinos, deve-se notar que dobram por todos. Desse modo, é possível evitar a proliferação de posturas meramente acusatórias que, além de desprezarem a atuação pouco eficaz ou inexistente de agentes públicos, também agenciam o aborto de sonhos e o assassinato de esperanças, ao passo que a falta de políticas públicas e o não desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais afetam o presente dessas pessoas e o futuro da nação, segundo o IPEA. Sob essa égide, mais do que se eximir da culpa para apontar culpados, os brasileiros devem atentar-se ao seu poder de ingerência e resolução.

Certamente, quando restrita a fatores inoportunos, qualquer iniciativa contra o crescimento das taxas de jovens que não trabalham e nem estudam está fadada ao insucesso. Portanto, faz-se necessário que o Estado, por meio da parceria entre os Ministérios da Educação e do Trabalho, garanta a inserção do público juvenil economicamente ativo no mercado laboral enquanto estudam, desde o ensino médio, com a ampliação do Jovem Aprendiz, até o aumento de vagas em estágios para estudantes universitários, a fim de dar mais experiência a essas pessoas e inverter o paradigma hodierno.