A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 14/10/2019
De acordo com o sociólogo positivista Augusto Comte, “o progresso é a lei da humanidade e o homem está em constante processo de evolução”. No contexto atual, entretanto, tal cenário idealizado não se estende à parcela dos jovens brasileiros que nem estudam e nem trabalham, de forma que representa um retrocesso social-econômico ao país. Nesse sentido, convém analisar como a sociedade e o poder público impactam negativamente nessa problemática.
Em primeiro lugar, a falta de incentivo familiar alinhado à questões de gênero, como maternidade precoce, favorece a persistência da geração “nem nem” e, consequentemente, o aumento da desigualdade social. Isso acontece, pois, de acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 23% dos jovens brasileiros não estudam e nem trabalham, na medida em que a maioria engloba mulheres de baixa renda. Dessa forma, a estruturação desigual e opressora da coletividade perpetua a exclusão e a dificuldade de inserção desse fragmento social.
Por conseguinte, a inoperância estatal em formular políticas públicas relacionadas ao combate à evasão escolar e a inserção no âmbito profissional representam um impedimento para o combate à geração “nem nem”. Isso é afirmado, uma vez que 4 a cada 10 brasileiros de 19 anos não concluíram o ensino médio, como apontado por dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa maneira, é insustentável à economia do país a perda profissional dessa potencial parcela ativa da sociedade, visto que contradiz o ideal de evolução de Comte.
Fica evidente, portanto, que é fundamental amenizar os índices de jovens que nem estudam e nem trabalham no Brasil. À vista disso, faz-se necessário que o Ministério da Educação incite a permanência destes ao ambiente escolar, por meio de investimento na propagação de cursos técnicos integrados ao ensino médio, com parceria com empresas privadas que ofereçam estágios alinhados à uma mentoria profissional, a fim de garantir uma formação qualificada em um menor tempo, se comparado ao ensino superior. Além disso, a mídia deve abrir espaço para debater esse tema na sociedade, através de personagens nas novelas e programas de tv, com o intuito de valorizar e incentivar os jovens na busca por melhores condições de vida. Somente assim, os ideais de Comte começarão a serem concretizados