A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 14/10/2019
O livro do Machado de Assis “Memórias Póstumas de Brás Cuba” tem como enredo a narrativa do protagonista (“defunto- autor”) sobre sua vida, antes da sua morte. Destarte, na obra é possível observar o descontento do personagem com as mazelas sociais da época. Na esfera coetânea, os problemas sociais continuam causando insatisfações, como é o caso da problemática dos altos índices de jovens brasileiros que nem estudam nem trabalham. Assim, pautada na falta de representatividade política, bem como no segregacionismo social, o impasse dos jovens “nem-nem” precisa ser combatido.
Nesse viés, pesquisas realizadas pelo Ipea demonstram que mais de 20% dos jovens brasileiros nem estudam nem trabalham. Dessa forma, é notório que a escassez de políticas públicas que auxiliem no combate da problemática é um impasse, visto que, de acordo com ideais aristotélicos, é dever de o Estado garantir o bem-comum. Além do mais, a evasão escolar no Brasil é preocupante, sendo a precariedade do ensino público um reagente da situação, no momento em que, em 2016, foi aprovada a PEC 55 - emenda constitucional para cortes com gastos públicos, como a educação. Por conseguinte, a omissão da representatividade política gera inércia do impasse, assim como aumento da saída dos jovens do ambiente escolar, sendo preciso o estimular o jovens brasileiros.
Ademais, o Fordismo, criado em 1914 pelo Henry Ford, foi um novo modelo de produção em que cada trabalhador tinha uma especialidade, comuns em indústrias, esse mecanismo possui certa influência no momento vigente. Contudo, tendo em vista a carência de uma porção da sociedade brasileira, o acesso a maneiras de se especializar nem sempre é simples, sendo o fato reativo aos altos índices de jovens que nem trabalham nem estudam. Outrossim, de acordo com o filósofo Émile Durkheim, o homem é determinado a agir de acordo com o seu meio, sendo a desigualdade social, em que trabalhar e/ou estudar é amiúde inacessível, visto as dificuldades financeiras e motivacionais, trata-se de um empecilho. Logo, como resultado do segregacionismo social, a busca por fácil ascensão social, como o tráfico e o comércio ilegal, e a subutilização de jovens brilhantes é uma realidade que deve ser auxiliada pelo Ministério do Trabalho.
Portanto, cabe ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social em conjunto ao Ministério do Trabalho, como órgãos responsáveis por administrar as ocupações brasileiras, estimular o associativismo, o cooperativismo e os pequenos empreendimentos, por meio da produção de cursos profissionalizantes de qualidade grátis em comunidades carentes, a fim de que jovens possam se especializar através dos estudos e ter como forma de ascensão social o empreendedorismo. Dessa maneira, os altos índices dos “jovens nem-nem” poderão ser amenizados.