A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Em “O Auto da Barca do Inferno”, Gil Vicente, o pai do teatro português, tece uma crítica ao comportamento vicioso da comunidade no século XVI. Fora da ficção, o Brasil do século XXI demonstra as mesmas conotações no que se refere aos altos índices de jovens que não estudam e nem trabalham. Com isso, torna-se evidente a consolidação de um grave problema, em virtude da acomodação parental e do desfalque na educação escolar.

É indubitável, nesse contexto, que a questão da acomodação parental esteja entre as causas do problema. Conforme dizia Bauman, o mundo pós-moderno intensificou o individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, visto que muitos pais “aconselham” seus filhos a não trabalharem e ficarem em casa, pensando só neles, e não no futuro de seus descendentes. Desse modo, funcionando como um forte empecilho no combate de altos índices de jovens que não trabalham.

Sobre outra perspectiva, o desfalque na educação escolar influência na problemática. O governo não amplia e nem investe em educação como deveria, muitas escolas e faculdades não incentivam o jovem a procurar seu primeiro emprego ou ao menos dão uma base boa para ele exercer futuramente em seu serviço, contrariando o que o filósofo Platão afirmou, a política tem como função preservar o afeto entre as pessoas de uma sociedade, o que dificulta a baixa nos números de adolescentes desempregados e que não vão as escolas.

Diante dos fatos supracitados, é explícito a necessidade de medidas eficazes e peremptórias que alteram essa realidade. É fundamental, portanto, que o Ministério da Educação amplie seus invertimentos nas escolas, através de campanhas incentivando os alunos a estudarem para conseguirem um bom emprego futuramente, para que os índices de jovens que não trabalham e nem estudam caiam. Dessa forma, talvez, o universo de “O Auto da Barca do Inferno” permaneça apenas na ficção.