A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 16/10/2019
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os altos índices de jovens que nem trabalham e nem estudam no Brasil dificultam a concretização dos planos de More. Nesse sentido, diante de uma realidade temerária e instável que mescla conflitos nas esferas sociais e econômicas, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os crescentes índices de jovens que não estudam e não trabalham derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Devido a falta de atuação das autoridades, uma parcela da juventude brasileira encontra-se desestimulada e sem orientação a cerca do papel que à educação exerce sobre os indivíduos: a inclusão social. A educação tem como função incluir os indivíduos na sociedade, como também inseri-los no mercado de trabalho, porém, a precariedade na infraestrutura das escolas públicas, a falta de investimentos em tecnologias nessas instituições e a crescente crise de desemprego diverge do papel de inclusão que a educação proporciona. De acordo com o economista britânico Arthur Lewis, a educação nunca foi um despesa, sempre foi um investimento com retorno garantido. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar a gravidez precoce como promotora do problema. Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), mostram que 73% da geração “nem-nem” — titulo empregado para os jovens que nem estudam e nem trabalham — é formada por mulheres, tendo como principal causa a gestação precoce. A obrigação de cuidar da família e o papel social imposto pela cultura machista em que vivem estão entre as barreiras enfrentadas pelas mulheres da geração “nem-nem”. As normas de gênero, impostas pela cultura machista, fazem com que as jovens mães não se vejam como agentes econômicos e sim como “donas de casa”. Tudo isso retarda a resolução do empecilho e contribui para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática. Dessarte, com intuito de mitigar os índices de jovens que nem estudam nem trabalham, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério da educação, será revertido em infraestrutura e tecnologias para as escolas públicas, como também instituir palestras sobre a importância da educação, como fator de inclusão social e profissional, e sobre a anacrônica cultura machista e seus malefícios para a comunidade . Dessa forma a coletividade alcançará a utopia de More.