A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Na obra “A República” o filósofo Platão discorre sobre “Callipolis”, uma cidade de organização ideal, livre de conflitos. Entretanto, percebe-se que a sociedade brasileira segue na direção oposta do que o pensador pregou, uma vez que apresenta problemas como os altos índices de jovens que nem estudam e nem trabalham. Essa situação é oriunda da falta de orientação profissional na escola e tem como efeito o aumento da desigualdade de gênero no mercado de trabalho. Diante dessa perspectiva, torna-se necessário o debate sobre o tema.
Convém destacar, primeiramente, a necessidade do debate sobre profissionalismo desde o ensino médio. Segundo as teorias contratualistas, defendidas por filósofos como Thomas Hobbes e John Locke, é papel do Estado garantir a existência e o equilíbrio da sociedade. No entanto, é possível perceber que, no Brasil, o descaso do Estado com a educação interfere na harmonia social, tendo em vista que a ausência de espaços que abordem conteúdos profissionalizantes na grade escolar resulta em uma grande quantidade de jovens que, ao concluírem o ensino médio sem nenhuma orientação profissional, não se sentem estimulados para entrar no mercado de trabalho, tampouco para ingressar no ensino superior.
Cabe analisar, também, o fato das mulheres serem as mais prejudicadas por esse problema. Examinando-se o mercado de trabalho, atualmente, verifica-se que a maioria das pessoas desempregadas são mulheres. Isso pode ser comprovado pelo levantamento, publicado pelo site “El país”, no qual revelou-se que cerca de dois terços dos jovens da América Latina que não trabalham e não estudam são mulheres. Tal situação reflete diretamente na desigualdade de gênero existente na maioria das profissões, uma vez que, ao não encontrarem opções para capacitação, cada vez menos mulheres entram no mercado de trabalho.
Fica claro, portanto, a necessidade de medidas que diminua a quantidade de jovens que nem estudam nem trabalham. Nessa lógica, a fim de conscientizar esses indivíduos sobre o assunto, o Ministério da Educação (MEC) deve utilizar verbas governamentais para criar, em parceria com as escolas, palestras e seminários, abertos a comunidade, que debatam temas como orientação profissional e a importância da capacitação para a entrada no mercado de trabalho. Desse modo, espera-se que os jovens sejam bem orientados sobre essa temática e os problemas supracitados possam ser resolvidos.