A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 17/10/2019
Os jovens fazem parte da população economicamente ativa do país.Por conseguinte,o aumento do número deles que não trabalham e nem estudam consiste também em uma questão econômica. Contudo, os índices que revelam tal crescimento não retratam a desigualdade social e o preconceito de gênero, que afetam diretamente o estudo e a qualificação desses jovens para o mercado de trabalho. Assim é essencial a ação conjunta do governo e da sociedade afim de sanar essas problemáticas.
A desigualdade social é um dos principais fatores que contribuem para este grupo “nem nem”. A medida em que aqueles de baixa renda não tem uma estrutura escolar na infância que os garante a inserção nas faculdades públicas, apresentam-se ao mercado de trabalho sem a devida qualificação, Segundo Kant, o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele. Evidencia-se o quão fundamental um ensino é para construção da capacitação de um profissional. É certo que o Governo fez medidas para amenizar esta problemática, como as cotas para estudantes de escolas públicas, todavia, ainda é majoritária a inserção de alunos de instituições particulares em faculdades estaduais e federais. Assim, é certo que o investimento nos colégios e nos cursos superiores é imprescindível para, visto que os jovens de baixa renda correspondem a uma grande parcela dessa população nem nem.
Ademais, grande percentual desta população equivale a mulheres. Portanto, nesse alto índice de jovens nem nem está imerso uma problemática quanto a cultura patriarcal presente no país.De acordo com Arendt, cidadania é o direito de ter direitos. Entretanto, visto que mulheres não são contratadas devido a possibilidade de gravidez, e quando conseguem um emprego, não corresponde à expectativa financeira - elas recebem de 20% a 30% a menos que os homens - ou refere-se a tarefas doméstica e de cuidadora, não tem seu direito à isonomia. Considerando essa desigualdade quanto às oportunidades de mercado, as adolescentes não se veem estimuladas a estudar e buscar ensino superior, além daquelas que abandonam a escola devido a gravidez precoce, não retornando devido a afazeres maternos e domésticos. Sendo assim, o combate à discriminação de gênero é fundamental para a diminuição do jovens “nem nem”.
Posto isto, é preciso que o Governo e a sociedade atenue sobre as questões de desigualdade de renda e de gênero, principais razões para estes 23% de jovens “nem nem” no Brasil. Diante disto é necessário que o Ministério da Educação invista mais na infraestutura de ensino público, incluindo materiais e profissionais concursados, afim de estimularem adolescentes a darem continuidade ao estudo e os qualificar profissionalmente. Também é essencial que as mulheres brasileiras, através das redes sociais, façam campanhas feministas que disseminam ideais contra a cultura machista.