A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 15/10/2019

Sob a perspectiva cinematográfica, o filme “Cidade de Deus” retrata o cotidiano das favelas e demonstra a vida dos personagens “Buscapé” e “Bene”, os quais largaram a escola por não acreditarem no poder educacional e nas suas capacidades para alterar seu contexto de vivência marginalizada. Nessa óptica, a assimilação desse cenário do longa-metragem, o qual jovens não são dotados de expectativa de vida, sucede-se na sociedade brasileira por falhas estatais no modelo de educação. A partir disso, observa-se as políticas públicas socioeducacionais e de assistência social como medidas preferíveis frente aos altos índices de jovens sem ocupação laboral ou estudantil.

Nesse contexto, o educador Anísio Teixeira, em sua obra “A educação e a crise brasileira”, concebe os jovens sem vínculo empregatício ou estudantil como produtos de um sistema onde a educação não é atrativa e, por conseguinte, gera falta de perspectiva. Por esse panorama, a pedagogia e o labor estão correlacionados, ao passo que é a partir da escola que os indivíduos são apresentados as áreas do conhecimento e as múltiplas ocupações profissionais. Dessa maneira, quando os estabelecimentos de ensino deixam de ser atrativos aos juvenis, não ocorre apenas a quebra de perspectiva de vida, mas também a perda de potenciais profissionais.

Ademais, segundo o estudo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sobre jovens sem ocupação, em 2019, 25,3% dos homens e 16% das mulheres inferem não apresentar vontade de voltarem à sala de aula ou de qualificarem-se profissionalmente, fundamentados no argumento de não enxergarem-se como capazes. Mediante esse dado, nota-se a assimilação do cenário cinematográfico, em que a carência de atrativo educacional mediatiza a descrença dos indivíduos em suas capacidades individuais e, por consequência, destrói expectativas de carreiras. Dessa forma, gera-se uma perda coletiva de capacidade produtiva para o indivíduo, a sociedade e o país, o que não é razoável.

Portanto, é dever do Estado não permitir a perda de capacidades profissionais atraindo esses jovens para os estudos e a especialização fazendo-os perceber que a educação pode significar um futuro melhor. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação e ao Ministério da Cidadania a elaboração e execução de uma campanha nacional de educação trabalhista, contenedora da expansão dos Institutos Federais pelo território nacional com ensino técnico e superior, ampliação de programas como o jovem aprendiz com subsídios fiscais e bolsas financeiras como incentivo para a conclusão de cursos capacitativos por meio de investimentos orçamentários na Secretaria Especial do Desenvolvimento Social. Desse modo, tem-se o intuito de utilizar políticas públicas socioeducativas e de assistência social para combater os altos índices  de juvenis sem práticas laborais ou educacionais.