A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 16/10/2019

Na obra “A Cidade do Sol”, Tomás Campanella idealiza uma cidade onde os seus habitantes têm suas necessidades essenciais supridas. Todavia, o que se observa na realidade não condiz com as ideias do escritor, mormente se considerarmos os altos índices de jovens que nem estudam e nem trabalham e, por conseguinte, seus impactos negativos. Esse quadro encontra suas origens tanto na esfera política quanto na esfera social, devendo ser alvo de discussão, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Primordialmente, é crucial pontuar que o problema em foco é oriundo da baixa atuação governamental, no que concerne à execução dos direitos previstos por lei. Segundo John Locke, o estado é resultado de uma convenção humana e tem por objetivo garantir os direitos inalienáveis dos indivíduos, como a educação e o trabalho. Devido à falta de atuação das autoridades, nota-se, especialmente, na população jovem de baixa renda e de extrema pobreza, a ausência de educação técnica ou superior, as quais são necessárias para qualificar a parcela juvenil para o mercado de trabalho. Essa postura estatal de negligência é reiterada pela pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que mostra que um a cada cinco jovens no Brasil não estuda e nem trabalha.

Paralelamente a isso, é relevante apontar o elemento social como promotor dos altos índices de jovens desocupados. Conforme dados do El País, dois a cada três jovens desocupados na América Latina são mulheres. De acordo com Norbert Elias, as práticas sociais são produzidas e reproduzidas continuamente através do fluxo constante da vida em sociedade. De modo análogo, é possível a comparação com a realidade brasileira, à medida em que o país possui cultura patriarcal, que discrimina e exclui o gênero feminino. Assim, o núcleo familiar tende a manter as mulheres em casa para tarefas domésticas, como cozinhar. Entretanto, as repercussões são desastrosas para as jovens, posto que não irão adquirir independência financeira, o que pode gerar desequilíbrios na saúde mental.

Fica clara, portanto, a necessidade de medidas exequíveis para combater a problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o fito de reduzir tais índices, é imprescindível que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio do Ministério do Educação, será revertido no aumento de vagas em cursos técnicos e de ensino superior, as quais serão oferecidas aos jovens cuja situação financeira é vulnerável - identificados pelo Número de Identificação Social (NIS) -, por meio de bolsas integrais. Ademais, o Ministério das Comunicações pode, através de parcerias com a Mídia, incentivar, em telenovelas, a independência das mulheres jovens brasileiras, a partir de roteiros que simulem a vida cotidiana. Dessa maneira, minuar-se-à, com a progressão temporal, os índices de jovens desocupados e a coletividade alcançará similitude com o modelo social descrito por Campanella.