A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Realidade distante

Um dos legados mais importantes, deixado pelo Acordo de Paz da Grécia Antiga, foi a necessidade de manter consolidada uma sociedade marcada pela harmonia comunitária. No entanto, a fragilidade no desenvolvimento da mobilidade urbana, no Brasil, demonstra a negligência dos diversos agentes sociais na valorização de premissas milenárias. Com efeito, o combate à problemática pressupõe a reafirmação de valores inatos a uma democracia, a saber, a ideia de coletivismo.

A princípio, o individualismo nas metrópoles configura um dos principais entraves ao êxito da mobilidade urbana brasileira. Nesse aspecto, Benjamin Constant afirma que os indivíduos possuem o ideal de optar por privilégios pessoais, em detrimento de benefícios coletivos. Isso se repercute, na prática, pela presença massiva de veículos particulares nas estradas do país, os quais — em uma sociedade livre do exclusivismo pessoal —, poderiam ser substituídos por transportes coletivos. Dessa forma, entende-se que a necessária mobilidade urbana requer a desconstrução de uma prática enraizada nos cidadãos modernos: a cultura do individualismo.

Ademais, a insuficiência na mobilidade urbana deve-se, sobretudo, à omissão de órgãos governamentais no assunto. Acerca disso, o crescimento do modelo econômico neoliberal, no Brasil, visivelmente afastou o olhar estatal de pautas sociais e o redirecionou, em grande parte, a assuntos burocráticos e sem fins filantrópicos. Nisso, a inconsistência do Poder Público constrói reflexos pejorativos na sociedade urbana, a medida que a ineficácia de investimentos, no setor de transportes coletivos, está diretamente atrelada à má qualidade de vida humana nas cidades. Assim, enquanto a indiferença de organismos estatais for regra, o progresso de um país, no qual preza pelo equilíbrio social urbano, será exceção.

Depreende-se, portanto, essencial a adoção de medidas que consolidem a mobilidade urbana como artefato eficaz no espaço verde-amarelo. Logo, cabe ao Ministério Público aumentar investimentos financeiros no ramo de transportes, a fim de construir uma malha urbana mais flexível e uma infraestrutura apta ao uso coletivo. A partir do eficiente desenvolvimento dos transportes, compete à mídia, por meio da função apelativa, orientar os indivíduos a adotarem condutas mais solidarias, como a promoção de caronas a outros cidadãos, a fim de diminuir a existência do individualismo urbano e promover uma esfera na qual a mobilidade de transportes tenha êxito. Assim, o ideal de coletivismo seria exaltado e, desse modo, o conceito de harmonia ressaltada pela Grécia Antiga deixaria de ser uma realidade distante.