A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 17/10/2019
Em 1808 com a chegada da família real portuguesa ao Brasil, iniciou-se uma corrida de restruturação das cidades brasileiras, a fim de possuir condições para sustentar o estilo de vida europeu no continente americano, para isso foi necessário, além das reformas estruturais, a implantação de instituições acadêmicas. Entretanto, somente a elite poderia usufruir dessa educação, e ainda, nessa época, prevalecia o sistema escravocrata. Dessa forma, a desigualdade econômica e o preconceito étnico acarretaram a diferenciação social, acadêmica e profissional, no qual se nota na contemporaneidade com a chamada geração “nem trabalha nem estuda”.
A priori, vale ressaltar que fatores históricos como a escravidão, a ausência de políticas públicas de inclusão da população negra brasileira e o patriarcado contribuíram para a presença de jovens, na atualidade, que não estudam e não trabalham. Isso é evidenciado no livro “Histórias e Conversas de Mulher” da historiadora brasileira, Mary Del Priori, onde discorre sobre o papel das mulheres e dos homens na sociedade brasileira, concluindo que o espaço público era destinado aos homens, como na politica e nos meios acadêmicos e as mulheres ao trabalho doméstico. Desse modo,de acordo com o Ipea, as mulheres de baixa renda são as que apresentam maior índice de desistência tanto escolar quanto profissional, e por isso há necessidade de combater problemas anteriores, como a cultura patriarcal, para atingir menores taxas de pessoas que não estudam e tampouco trabalham.
Em segundo plano, a economia é uma das mais afetadas por causa dessa desistência escolar e profissional, pois segundo o IBGE, a população brasileira está passando pelo processo de amadurecimento populacional, no qual, aproximadamente em 2050 haverá mais idosos que jovens, e se, atualmente a taxa de contribuição for pequena ocorrerá o inchaço da previdência social, acarretando maiores dificuldades para auxiliar os idosos e reduzirá o ciclo de crescimento do PIB, responsável por arrecadar e distribuir para os setores públicos. Dessa maneira, a educação e a economia são os pilares de um Estado forte e produtivo, e que devem ser pensados em concordância.
Portanto, é indispensável que medidas relacionadas ao incentivo estudantil e profissional sejam tomadas para que o futuro do Brasil, desenvolvido e estável. Para isso, é necessário a ação conjunta dos Ministérios da Educação e da Economia, visto que são responsáveis respectivamente, por implementação de programas educacionais e econômicos, através em especial, de cursos técnicos, por meio deles inúmeros alunos são capacitados e preparados para o mercado de trabalho. Nesse sentido, o país conseguirá produzir conhecimento e gerar uma rede de trabalho dinâmica e competitiva, capaz de incluir desde os jovens aos idosos.