A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 17/10/2019

Na série brasileira de comédia “a grande família” o personagem Tuco é considerado preguiçoso e uma de suas características é “fugir” da obrigação de trabalhar e/ou estudar…Embora nessa obra de ficção isso seja retratado de modo cômico, e esse rapaz tenha a oportunidade de escolher trabalhar ou estudar ou não, a realidade dos jovens brasileiros costuma ser bem diferente e nada engraçada.

Um estudo do IPEA mostrou que quase 1/4 dos jovens brasileiros não estão estudando nem trabalhando, sendo chamados pelos pesquisadores de “nem-nem”, que em sua maioria são mulheres e pessoas de baixa renda. As principais razões desse fenômeno são: agravamento do desemprego devido a crise econômica brasileira, precarização dos empregos, necessidade de cuidar de parentes ou filhos, baixas habilidade socioeconômicas e cognitivas.  Atrelado a isso, é importante ressaltar que segundo a OMS a depressão será, até 2020, a doença mais incapacitante do mundo e o número de suicídios de jovens brasileiros vem crescendo assustadoramente, mostrando que o aumento no número de casos de pessoas jovens com transtornos mentais também pode aumentar o número de casos de “nem-nem” e com certeza a dificuldade de acesso a emprego e educação aumentam os índices de doenças psicológicas.

Portanto a única forma de reverter esse quadro é com a implementação de medidas educativas, econômicas e socioculturais. Todavia, infelizmente a sociedade no geral e o poder público não parecem se importar com esses jovens, que são vistos de forma negativa, como se não estivesse trabalhando e/ou estudando por própria escolha, quando na realidade são vítimas da falta de oportunidades.

O governo precisa urgentemente aumentar o repasse de impostos destinados à educação, aumentando as vagas no ensino superior e nas escolas de ensino fundamental e médio, e aumentando tanto a quantidade de aulas quanto a qualidade dessas, e usando uma parte da verba para colocar nas escolas e universidades um psicólogo para conversar com os alunos que demonstrem necessidade no atendimento, melhorando a capacidade de interação social e habilidades cognitivas dos alunos.

Não somente isso, mas o governo também deve trabalhar para melhorar a quantidade e qualidade dos empregos disponíveis no Brasil.  Além de, claro, investir na educação, é necessário que as autoridades aumentem os investimentos em ciência e tecnologia, possibilitando, de longo a médio prazo a diversificação da matriz econômica brasileira, que atualmente é muito focada em commodities, para manufaturados de maior valor comercial, como automóveis, medicamentos e eletrônicos. Somente dessa forma será possível assegurar que os jovens tenham perspectivas de estudar e conseguir bons empregos, tendo uma realidade melhor que os jovens de hoje em dia no Brasil.