A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 21/10/2019
Segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam. Essa parcela da população corresponde ao fenômeno nem-nem, cidadãos entre 15 a 24 anos que são enquadrados como desinteressados em procurar trabalho ou dar continuidade aos estudos. Entretanto, o quadro gerado quando analisado holisticamente revela que a falta de oportunidades aliado a barreiras de motivação interna são os responsáveis pelos altos índices de ócio nessa faixa etária.
A princípio, verifica-se que a ausência de chances no mercado de trabalho associado a evasão escolar são realidades pertinentes em uma sociedade em que as políticas públicas são defasadas. Ademais, a carência por aspiração profissional e a vontade de voltar a estudar são barreiras enfrentadas por essa geração, uma vez que o empenho para driblar as dificuldades parte do próprio indivíduo. Consoante Sócrates, o segredo da mudança é centrar toda sua energia nela, porém quando o coletivo é constantemente desmotivado essa energia deixa de existir. Haja vista que a sensação de impotência diante do quadro exposto se faz presente, as chances de uma melhor condição social são limitadas ou pouco conhecidas e incentivadas.
Além disso, segundo o filósofo Schopenhauer, a multidão tende a se perder visto que possuem certas limitações. Nesse sentido, os obstáculos que esse grupo vive são a complexidade de conciliar emprego e aulas, falta de recursos financeiros e capacitação, dificuldade de locomoção entre as atividades bem como o julgamento existente em relação as jovens que são mães e pessoas de classe inferior. Com isso, é acentuado a crise econômica e social de um país que depende dessa camada economicamente ativa para o pleno funcionamento da máquina administrativa, seja por dar brecha para a existência do emprego informal ou por dar abertura ao aumento da criminalidade.
Urge, portanto, que políticas públicas sejam efetivadas e que os jovens se proponham a buscar mudanças. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação oferecer aulas de sociologia que ressalvem a importância do estudo - posterior a qualificação técnica em graduações ou cursos de capacitação - a fim de atenuar esse quadro de evasão. Desse modo, o acesso a informação e oportunidades ofertados por meio das aulas é um incentivo necessário em um período de escolhas profissionais. Outrossim, é necessário que o Ministério da Saúde qualifique o quadro de psicólogos para oferecer um melhor programa de apoio emocional aos jovens, para que esses não caiam no ócio apesar dos quadros de dificuldades enfrentados - maternidade e pobreza generalizada. Por fim, cabe ao indivíduo empenhar na conclusão dos estudos, na eficiência profissional revertendo assim o fenômeno nem-nem.