A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 18/10/2019
Jovens conhecidos como “nem-nem” são aqueles que nem estudam, nem trabalham. Contudo, no Brasil, deveriam ser renomeados para jovens “sem-sem”: sem Estado, sem educação, sem trabalho, sem oportunidades, sem nada. Para compreender a problemática é preciso parar de culpar esses indivíduos pela sua condição e olhar para a conjuntura que realmente deveria ser responsabilizada: a desigualdade de gênero e a falta de políticas que transformem os jovens em mão de obra especializada.
Em primeiro plano, a desigualdade entre homens e mulheres é a princi-pal responsável pelo alto índice de evasão escolar feminina. De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, 73% dos jovens “nem-nem” são mulheres, tendo a gravidez precoce como um dos principais fato-res. Devido à herança machista incutida na sociedade brasileira, as mulhe-res ainda são vistas sob o olhar sexista de mães e donas de casa. Assim, as jovens mães não cultivam a perspectiva de um futuro por meio da edu- cação, posto que têm sobre si a responsabilidade pela criação dos filhos.
Outrossim, a falta de profissionalização contribui para a problemática. O mundo contemporâneo é caracterizado pela mudança das dinâmicas em-presariais devido à Terceira Revolução Industrial. Nessa conjuntura, aque-les incapazes de oferecer mão de obra especializada, obtida por meio do ensino, não conseguem espaço no mercado de trabalho. Segundo o De-partamento Intersindical de Estatística e Estudos, 62% das pessoas com ensino superior no Brasil atuam em cargos que não exigem essa escola-ridade, expulsando do mercado quem tem um nível escolar mais baixo.
Portanto, medidas devem ser tomadas para que os jovens “nem-nem” possam tornar-se jovens “com-com”: com emprego e com estudo. Para is-so, o Governo Federal deve ampliar a rede de Institutos Federais, que ofe-recem ensino técnico de forma gratuita durante o ensino médio. Essa ação deve ser efetuada por meio do redirecionamento de verbas aos Institutos, visando a oferecer oportunidades para esses jovens. Ademais, as escolas devem combater o machismo desde a infância, diminuindo as diferenças.