A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 18/10/2019
A obra “Utopia” do filósofo inglês São Thomas more, retrata uma sociedade perfeita, na qual o meio social é desprendido de conflitos e problemas, originando harmonia. Fora da ficção, constata-se que isso distancia-se significativamente da realidade brasileira atual, uma vez que o elevado número de jovens que nem trabalham nem estudam impede a formação de uma sociedade harmônica, seja pela omissão de políticas públicas de incentivo estatal, seja pela falta de interesse dos jovens e das escolas para mitigar o caos.
A priori, é fato que a ausência do arranjo estatal frente a promoção de programas de incentivação e mitigação corrobora para o problema. Consoante a isso, o filósofo John Locke afirma que esse impasse externa uma transgressão ao “contrato social”, haja vista que o Poder Público não garante efetivamente os direitos primordiais, como a educação. Nesse prisma, é notório que a falta de oportunidades aos jovens após e durante os estudos influenciam para a formação da geração “nem-nem”, visto que a carência de apoio governamental promove a perda de pessoas na parcela ativa da economia. Além disso, é evidente que há um baixo número de vagas em cursos técnicos e oportunidades ao primeiro emprego em relação ao total de pessoas entre 15 e 29 anos e issso acaba ocasionando também um aumento de jovens desocupados.
Outrossim, nota-se ainda que o desinteresse dessa parcela da população junto a falta de incentivo escolar também fomenta para o problema. Isso acontece porque os centros educacionais não capacitam de forma efetiva ou não incentiva-os na busca de um caminho profissional e isso ocasiona no elevado número de evasão escolar. Nesse viés, de acordo com os dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, que 2 a cada 10 jovens fazem parte da geração “nem-nem” e dentre eles 73% são mulheres de baixa renda, cuja a maioria foi devido à gravidez precoce. Diante disso, nota-se que a falta de uma vida educacional acelera a problemática, visto que aliado a evasão escolar, essas jovens não conseguem nem pode trabalhar ou estudar devido ao compromisso para cuidar dos filhos.
É evidente, portanto, que o “contrato social” de John Locke seja respeitado e propaganda na sociedade. Destarte, o Governo Federal, junto ao Ministério da Educação, deve ampliar o número de vagas nos cursos técnicos, além de efetivar a partir de cotas nas empresas e comércios a oportunidade ao primeiro emprego, por meio de projetos educacionais e financeiros que visem amenizar gradativamente o número de jovens parados e ampliar a população economicamente ativa. Ademais as escolas podem através de aulas promoverem debates que guiem os jovens na vida profissional impeçam tal evasão escolar.