A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 18/10/2019
A educação e o trabalho são direitos sociais presentes na Constituição Federal do Brasil, de 1988. Em contrapartida, é alto o índice de jovens que nem estudam nem trabalham no país. Isso revela a necessidade de combater essa problemática, que tem como algumas de suas causas o deficiente acesso a instituições públicas de ensino e os critérios de admissão utilizados por empresas.
Em primeira instância, destaca-se a falta de acesso à educação pública como precursora dessa situação. Em alguns locais como no bairro Nossa Senhora da Apresentação, em Natal, Rio Grande do Norte, existe apenas uma escola pública para atender a comunidade. Isso faz com que muitas crianças e adolescentes que não tenham condições financeiras para bancar o ensino privado ou para se locomover para locais mais distantes, acabem deixando de estudar.
Como consequência, a falta de formação gera prejuízo para concorrer a vagas no mercado de trabalho, que tem como principal exigência a qualificação profissional. Outro critério que as empresas usam para a admissão é a preferência por currículos com experiência, o que impede muitos jovens de conseguirem uma primeira oportunidade de trabalho. Tudo isso contribui ainda mais para o aumento do índice de desempregados no país que, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), já é de cerca de 13 milhões. Além disso, é favorecido o aumento do índice de criminalidade entre os jovens que, desocupados, muitas vezes procuram se manter com dinheiro proveniente de furtos e roubos.
Portanto, é evidente a necessidade de medidas para diminuir a ausência do jovem nas escolas e no mercado de trabalho, que é gerada, dentre outros fatores, pela deficiente disponibilidade de colégios públicos e pela exigência curricular na admissão por empresas. Cabe ao Estado investir na implantação de mais escolas, universidades e cursos técnicos profissionalizantes, em locais que mais necessitem, seguindo, por exemplo, o modelo adotado pelo instituto Federal do Sul de Minas, que disponibiliza cursos técnicos integrados ou subsequentes ao ensino médio. Além disso, o Governo deve divulgar orientações sobre o funcionamento do programa Jovem Aprendiz, que auxilia na preparação e inserção desse público no mercado, com base na Lei da Aprendizagem. Com a garantia de acesso à formação educacional, facilita-se a garantia do direito social ao trabalho, presente na Constituição Cidadã.