A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 19/10/2019

Em “Memórias póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, o narrador-personagem, um defunto-autor, orgulha-se de não ter deixado filhos para herdar as mazelas de um mundo doentio. Pudera: a cobrança exagerada sobre a juventude por parte das gerações mais antigas e da sociedade em geral, revelam a sua desestruturação. Tal problemática persiste arraigada no corpo social vigente, seja pela falta de oportunidade, sobretudo para as mulheres, seja pela pouca instrução dessa porção da população.

Inicialmente, pode-se afirmar que a oportunidade pode transformar a vida de uma pessoa. Sob esta ótica, o olhar irônico da narrativa machadiana atesta a existência de uma realidade preocupante, na medida em que há cada vez menos estímulos aos jovens. Na sua ausência, grande parte da juventude não suporta a cobrança e desiste, aumentando, portanto, a parcela da população em idade economicamente ativa que não contribui para o desenvolvimento do país. Além disso, a falta de acompanhamento e cuidados para com essa juventude, intensifica os problemas decorrentes dessa falta de oportunidades, já que não há perspectiva de melhora, nem vislumbre de saída da situação.

Ademais, a escola é o lugar onde a criança e o adolescente passam boa parte de seu dia e este local deveria desenvolvê-los e prepará-los para a convivência em sociedade. Neste contexto, consolida-se a percepção do filósofo contratualista John Locke. Conforme o pensador, para o bom funcionamento dos organismos sociais, é necessária a relação de confiança entre o Estado e a sociedade, o que configura-se como o princípio da cooperação. À luz dessa ideia, torna-se notório o rompimento do contrato social, uma vez que o Brasil não investe o suficiente, sobretudo na educação básica, haja vista que os valores são, proporcionalmente, quatro vezes menores do que os investidos na educação superior, acarretando despreparo desde as fases iniciais do desenvolvimento. Assim como não investe na aproximação entre os centros acadêmicos e o segundo setor, as empresas, principalmente no que tange a participação do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE).

Sendo assim, é essencial buscar soluções práticas para reverter este cenário. A priori, o Ministério da Educação, em conjunto com o Ministério do Trabalho, devem inserir profissionais do CIEE nas escolas de ensino médio para que o acesso às vagas de trabalho seja facilitado. Além do mais, o Estado deve proporcionar descontos nas alíquotas de impostos para empresas que atuarem na inserção desses cidadãos no mercado de trabalho, bem como utilizar-se dos agentes sociais para acompanhá-los durante o desenvolvimento, realizando visitas e orientando sobre as oportnidades para eles disponíveis. Feitas tais ações, espera-se solucionar esse entrave, de modo a orgulhar Brás Cubas.