A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 19/10/2019

Implantado no Brasil no ano de 1990 o ECA, Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelece regras rígidas a respeito da obrigatoriedade dos estudos dos 4 até os 17 anos e a proibição de trabalho para menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz. No entanto, observa-se, no país, que essas diretrizes foram deturpadas e urge, portanto, a necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham. São fatores que contribuem para essa problemática, a falta de políticas públicas de incentivo à continuidade dos estudos e o contato com o mercado de trabalho, aliadas à falhas no modelo educacional brasileiro no que tange à essa questão.

Nesse contexto, a falta de políticas governamentais proporciona um terreno fértil para a manutenção dos altos índices negativos. Isso acontece porque falta orientação sobre a importância da continuidade dos estudos e o ingresso no mercado de trabalho, já que as famílias, muita vezes, não cumprem esse papel, que também é negligenciado pelo Estado. Só para exemplificar, o ex presidente estadunidense resumiu em uma frase a importância do trabalho para a sociedade: “acredito que o melhor programa social é um emprego.” Dessa forma, a falha estatal em conscientizar jovens e suas famílias sobre a relevância, para si e para a sociedade, do estudo e trabalho, auxilia nesse processo e confronta, infelizmente, com o pensamento de um dos homens mais importantes do século passado.

Ademais, é oportuno frisar que a Escola falha na formação de cidadãos conscientes da importância do estudo e do trabalho e, consequentemente, auxilia nos altos índices de jovens que não trabalham nem estudam. Isso porque as instituições de ensino estão voltadas para o ensino de matemática, ciências, linguagens e humanas, mas não se preocuparam, até agora, em ensinar como o jovem deve utilizar esses conhecimentos fora do ambiente escolar para adiquirir independência financeira.. Segundo Immanuel Kant, “é no problema da educação que assenta o grande segredo do aperfeiçoamento da humanidade.” Logo, é inaceitável que as práticas de ensino não cuidem de maneira plena do processo de aprimoramento social, assim como pensava o filósofo alemão.

Diante desse cenário, é imprescindível que, para combater os altos índices de jovens que estão fora das atividades de aprendizado e laborativas, o Estado, por meio de investimento financeiro nas escolas, integre o ensino médio com cursos técnicos e estágios em parcerias público-privadas, em consonância com acompanhamento sócio-educativo, palestras constantes sobre gravidez precoce, educação financeira etc, a fim de conciliar o contato da juventude com o mercado de trabalho ao mesmo tempo em que trata das questões sociais que permeiam o tema. Somente assim, será possível combater esses indicadores negativos sem desrespeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente.