A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 21/10/2019
É difícil imaginar um futuro próspero em qualquer nação que não pressuponha um forte investimento em sua juventude - no Brasil as perspectivas não são boas, visto que a quantidade de jovens que não trabalham e nem estudam atingem níveis elevados, exigindo uma ação urgente. Nesse sentido, é necessário refletir sobre problemas como a desigualdade e a baixa qualidade da educação.
Primeiramente, é nítido o descompasso que as elevadas diferenças de renda causam na sociedade, atingindo diretamente os indivíduos de pouca idade. Nesse contexto, muitos deixam de estudar para tentar trabalhar e ajudar nas finanças domésticas, porém com baixa instrução e em um cenário econômico desfavorável acabam desempregadas. Esse quadro tem um perigo exponencial, já que a condição de ócio favorece a cooptação de indivíduos para o crime - geralmente facções que controlam e disputam o tráfico em grandes cidades - gerando números como os apresentados pelo Atlas da Violência, em que mais da metade dos homicídios em 2017 são de jovens.
Ademais, a educação é deficiente e não consegue promover o progresso e autoestima dos estudantes. Isso é nítido na percepção de que a escola é chata e na elevada evasão. Dessa forma os alunos não conseguem desenvolver suas habilidades e nem gostar das disciplinas, levando a um total fracasso ao término do ensino médio. Tal falta de perspectiva é crucial na determinação da existência do grupo apelidado de “nem-nem”. Outrossim, a falta de orientação e envolvimento da instituição escolar predispõe as mulheres a dilemas como a gravidez precoce.
É preciso, portanto, enfrentar o problema daqueles que não estão ocupados com o estudo ou a atividade laboral. Para tal, é urgente que governos de todas as esferas criem através de suas secretarias de trabalho e ação social programas específicos para esse público que os insira em estágios remunerados, nos quais possam se qualificar. Também é importante implementar o ensino integral com mudanças curriculares.