A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 22/10/2019

Assim como os icebergs que apenas dez por cento de sua massa encontra visível na superfície, a análise da temática sobre os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil deve ser aprofundada e ultrapassar a superficialidade, indo além de um debate sobre comodismo ou meritocracia. Nesse sentido, a questão abarca desde uma questão de saúde publica - a falta de planejamento familiar - até preconceito enraizado.

Tal panorama aponta que mulheres pobres quando engravidam na adolescência são impedidas de trabalharem ou estudarem para cuidar dos filhos. Logo, quando a saúde pública não chega para todos através de serviços de saúde e informação para um planejamento familiar, essas mulheres ficam isoladas da oportunidade de crescimento, muitas vezes repetindo a história de suas mães e avós em uma herança transgeracional como é abordada pela psicanálise.

Além disso, outro fator que impacta a população pobre brasileira no acesso a educação e/ou trabalho é o preconceito enraizado que forma obstáculos para o desenvolvimento dos jovens. O preconceito enraizado é o mal radical teorizado por Emmanuel Kant age como um obstáculo impedindo o acesso aos diretos básicos que deveriam ser garantidos pela Constituição Federal de 1988.

Destarte, é evidente que o alto índice de jovens que nem trabalham nem estudam configura-se como um problema que precisa ser resolvido. Portando, o Governo em conjunto com o Ministério da Saúde, deve investir na divulgação de informação para a população sobre os métodos anticonceptivos através do SUS – que tem a finalidade de alterar a situação de desigualdade na assistência à saúde da população –, por meio de cartazes, folders e palestras, além do acompanhamento médico, afim de possibilitar um planejamento familiar. Outras medidas devem ser tomadas, porém como considera Oscar Wilde, “O primeiro passo é o mais importante na evolução de um homem ou de uma nação”.