A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Empreendedorismo educacional
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizou um estudo, demonstrando que cerca de 23% dos jovens brasileiros não estudam nem trabalham. Essa parcela da juventude, conhecida como “nem-nem”, é alvo de grande preocupação, uma vez que essa situação é oriunda de fatores sociais, engendrando consequências para a sociedade e economia do país. Sob tal ótica, é de suma importância que essa realidade seja combatida e atenuada.
Consoante o sociólogo Émile Durkheim, a esfera social exerce um poder coercitivo sobre o indivíduo, influenciando seu comportamento, suas escolhas e sua realidade de vida. Por esse ângulo, é notável que problemas sociais como a desestruturação familiar, o preconceito de gêneros, a pobreza e a insuficiência de políticas públicas de incentivo ao estudo contribuem para que os jovens “nem-nem” se concentrem nesses altos índices. Assim, há uma tendência visível de que a formação acadêmica desses indivíduos seja reduzida, alavancando o número de desempregados em território nacional.
Em consequência disso, surgem inúmeros efeitos maléficos, os quais afetam diretamente o desenvolvimento econômico e o âmbito social. Conforme o filósofo Bernardo Toro, “a construção de uma sociedade democrática e produtiva requer que as crianças e jovens recebam informações e formação que lhes permitam atuar como cidadãos.” À vista dessa perspectiva, a insuficiente instrução educacional promove a formação de uma sociedade deficiente quanto à política e à criticidade. Ademais, a baixa produtividade, aliada ao desemprego, provoca a perpetuação da pobreza, elevando a desigualdade social no país.
Tendo em vista o apresentado, é nítido que os altos índices de jovens “nem-nem” precisam ser combatidos. Para isso, é impreterível que o Ministério da Educação promova, nas escolas, o desenvolvimento de um projeto sociológico, voltado para a conversação de temas relacionados à realidade social de cada região desde a infância, além de favorecer o incentivo educacional, com debates, feiras de ciência e saraus, a fim de que os problemas sociais sejam reduzidos e a instrução acadêmica seja aumentada. Ademais, urge que o Governo Federal, através de subsídios e ferramentas de ajuda online, estimule a construção de microempresas particulares, para que o desemprego seja remediado. Por meio dessas medidas, poder-se-á mudar essa realidade nacional e o dado que o Ipea trouxe em sua pesquisa.