A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Em Memórias Póstumas de Brás Cubas, do escritor Machado de Assis, o defunto-autor relata a sua vida improdutiva, sem  trabalho e estudos. Analogamente, os jovens contemporâneos que não trabalham e nem estudam são denominados de geração “Nem-Nem”, devido a inatividade nessas funções. Nessa perspectiva, é necessário avaliar as causas desse problema, como a desigualdade social e o estigma gerado acerca deles.

Primordialmente, as hierarquias sociais desestimulam a presença do jovem no mercado de trabalho e locais de ensino. Segundo o filósofo Karl Marx, em Luta de Classes, a estratificação da sociedade é uma forma de implementar o poder sob as minorias. Logo,  os aspectos negativos da educação pública brasileira, assim como a crise trabalhista, são fatores que os rebaixam, em especial os mais pobres. A exemplo disso, as escolas e o mercado de trabalho -cada vez mais elitistas e menos atrativos- ocasionam em cerca de 6,6 milhões de “Nem-Nem” no Brasil, conforme dados da revista Veja-Abril.

Ademais, o senso comum dos brasileiros é de que os jovens devem começar a trabalhar ou ingressar nos estudos de forma precoce. De acordo com o sociólogo Michel Foucault, a família é uma esfera social que exerce dominação sob um indivíduo, moldando as ações e comportamento dele. Dessa forma, a sociedade , especialmente  os familiares dessa juventude, não analisam as capacidades motoras ou psicológicas, o que proporciona-lhes uma pressão mental, em busca de melhores condições financeiras.

Em suma, fica evidente que os fatores sociais e a estigmatização vividas por esses jovens geram muitos prejuízos, tanto para a sociedade, quanto para eles. Portanto, é função do Ministério do Trabalho e o da Educação, agindo em conjunto, prepararem a juventude para o mercado de trabalho, por meio de cursos técnicos gratuitos e em diversas áreas de atuação. Assim, com essas medidas, objetiva-se que esse grupo se torne uma geração produtiva, bem desenvolvida e interessada em contribuir socialmente, ao contrário do exemplo de Brás Cubas.