A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/10/2019
A série brasileira “A Grande Família” retrata precisamente a família de classe média brasileira, além disso um dos personagens mais icônicos é o jovem Tuco que não apresenta grandes ambições profissionais e vive de mesadas do pai Lineu e da superproteção da mãe Nenê. No entanto, a realidade de muitos brasileiros se assemelha à ficção, uma vez que existe um fenômeno moderno no qual uma parcela dos jovens brasileiros não estudam e nem trabalham. No que tange a esse cenário, é perceptível que a dinâmica do mercado e a crise econômica do país agravou essa situação. Ademais, as jovens brasileiras de baixa renda sentem pior essa realidade pela misoginia do mercado.
A crise econômica tende a tornar o jovem menos esperançoso na vida profissional e a dificuldade de enfrentar o ensino superior inibe psicologicamente esse grupo. Nesse sentido, dados do Censo mostrou que em 2018 o número de adolescentes entre 14 e 17 anos fora da escola era de 2 milhões, fato que agrava a disparidade de oportunidades em vestibulares e seleciona negativamente os jovens que não possuam curso superior. Desse modo, suprimir a evasão escolar é o primeiro passo para incentivar os jovens a terem perspectiva na vida profissional.
Além do mais, o mercado é predominantemente masculino e as universidades elitistas, e, por consequência, inibe a ascensão das jovens brasileiras de baixa renda no mundo capitalista. Por esse ângulo, esse grupo não possuem incentivos de seguirem uma carreira ou almejarem um espaço nas universidades e acabam por reproduzirem um comportamento das mulheres antes da Revolução Industrial. Nesse contexto,as mulheres passam a serem mais alienadas politicamente, mais dependentes de um provedor masculino e vítimas de um determinismo social. Dessa maneira, é crucial medidas que ampliem a igualdade de gênero no mercado de trabalho e melhore a educação dessas jovens.
Dado o exposto, é necessário uma atuação do Ministério da Educação, por intermédio das instituições de ensino pública, desenvolver uma melhoria estrutural agregando o Ensino Médio ao mercado, aos moldes do Senai, porém, com maior diversificação de ocupações. Com isso, o jovem poderá estudar e receber apoio financeiro por meio de cursos técnicos em parceria com empresas. Além disso, será incentivado a disputar vagas com outras instituições de ensino privada de forma mais justa, visto que passará mais tempo estudando. Ademais, é importante a integração das mulheres no qual será poderá ter a mesma oportunidade de integrar nesse programa quanto os homens, combatendo, portanto, a desigualdade de gênero.Só assim, a sátira de um programa passará a ser apenas uma ficção e não mais o retrato de uma triste realidade do país.