A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 24/10/2019
O termo “nem-nem” é uma expressão recentemente usada para caracterizar uma parte da população, especificamente jovens na faixa dos 15-29 anos que “nem trabalham e “nem estudam”, que de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), hodiernamente cerca de 23% do jovens brasileiros estão sob essa condição, na maioria mulheres de baixa renda. Por ora, tem sido identificado que às causas desse fenômeno podem ser atribuídas à crise socioeconômica e a gravidez precoce na adolescência. Com efeito, evidência-se a necessidade de reverter essa problemática.
É relevante abordar, primeiramente, que o decréscimo no setor produtivo na crise nacional iniciada aproximadamente em 2014, que promoveu queda do Produto Interno Bruto (PIB), diversas empresas se sentiram obrigadas a fecharem suas portas. Diante dessa conjuntura, o mercado de trabalho ficou cada vez mais sequioso por pessoas com experiência profissional e uma bagagem de cursos em seus currículos. Porém, dos 6,6 milhões de jovens desocupados, apenas 5% buscaram por uma formação superior, sendo um dos fatores dessa baixa procura a falta de perspectiva profissional, pois na disputa por uma vaga de emprego, recém-formados acabam perdendo a oportunidade devido às exigências estabelecidas pelas instituições, resultando um grande número de desempregados.
A posteriori, outro dado interessante é que uma parcela significativa desse cenário é composta por mães precoces ou muito jovens. A gravidez, na maior parte das vezes indesejada, impulsiona o afastamento dos estudos, uma vez que não acreditam na possibilidade de conciliar as duas coisas, que segundo a Fundação Abrinq 30% das mães adolescentes não concluíram o ensino fundamental. No que tange ao mercado de trabalho, a maternidade ainda é um entrave para conseguir manter seus empregos ou se recolocar, pois de acordo com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), 48% das mães saem dos seus trabalhos nos primeiros 12 meses pós-parto, não sendo reconhecidas como classe trabalhadora, sofrendo preconceitos pelas necessidades maternais, tornando alvo de marginalização.
Portanto, cabe ao Ministério Do Trabalho e Emprego firmar parcerias com diferentes setores da Economia, abrindo frentes de trabalho aos jovens graduados e aos demais fomentar o primeiro emprego, como o jovem aprendiz, condicionando-os a continuidade dos estudos, a fim de minimizar o número de jovens desocupados. Ademais, urge que o Ministério da Saúde em parceria com o sistema midiático, elaborem campanhas conscientizadoras para o combate da maternidade precoce, utilizando elementos formadores de opinião ligados ao público juvenil, mostrando a realidade de uma menina que esteja grávida, suas dificuldades e sacrifícios, com o intuito de atenuar essa problemática que colabora para uma geração de mulheres “nem-nem”