A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 23/10/2019
Lygia Fagundes, em sua obra “A disciplina do amor”, afirma que nascer no Brasil não é ruim, ruim é não ter voz e nem vez. Analogamente à assertiva literária, é fato que a realidade de inúmeros jovens brasileiros - seja pelo falho sistema educacional, seja pela insuficiência do estímulo familiar - concentram-se sem “voz” e sem “vez”, haja vista que a condição de nem-nem (jovens os quais nem estudam nem trabalham) lança-os nas mazelas socais. Nessa perspectiva, faz-se necessário discutir acerca de como combater o alto índice de jovens que não estudam e não trabalham no Brasil.
Diante desse cenário, é válido analisar os impactos causados pelo déficit do sistema educacional. O filósofo Immanuel Kant salienta que o homem é aquilo que a educação faz dele. Sob essa máxima, nota-se que o sistema educacional é falho ao preparar os indivíduos para compor a modernidade, visto que - por insuficiência governamental - a pouca aplicabilidade de recursos transcende uma educação arcaica. Nesse sentido, a sociedade viabiliza-se sem o aparato estatal indispensável para formação de jovens civicamente ativos e, pela abordagem kantniana, consequentemente os cidadãos serão resultados da baixa capacitação estudantil, a qual deturpa os seus eixos cognitivos. Destarte, tudo isso estimula o alarmante patamar em que esse impasse resulta no retardo socioeconômico brasileiro.
Outrossim, é indispensável entender os efeitos gerados pelo pouco estímulo familiar frente aos jovens. Na óptica do cientista Robert Putnam, quanto menos a sociedade participa, maiores serão os problemas. Consoante a essa linha de pensamento, percebe-se que falha da família em instigar aos filhos no momento da sua maturação a relacionar parâmetros imprescindíveis para o progresso social, a exemplo, a escolarização e o trabalho, agrava a situação insalubre em que jovens são marginalizados por serem nem-nens. Por conseguinte, o crescimento cívico é ferido por conta dessa esfera basilar deteriorar a orientação necessária para promover ao adolescente a concepção de imaginar o seu futuro.
Portanto, perante o supracitado, é mister combater tanto o falho sistema educacional, quanto o déficit familiar em instigar aos jovens e - assim - diferentemente da afirmativa de Lygia Fagundes em “A disciplina do amor”, levantar jovens com “voz e vez”. Para tanto, cabe ao Ministério da Educação, em virtude da sua responsabilidade em dar assistência educacional, por meio de alteração nas diretrizes educacionais, efetivar uma mudança na grade curricular do ensino médio, a fim de que os jovens já saia preparados para o mercado mais atual, como o tecnológico. Ademais, é dever do Governo Federal promover campanhas televisivas, por meio de investimentos, as quais alertem à base familiar sobre a importância de dialogar com o seu filho a respeito da sua preparação para o seu futuro.