A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 23/10/2019

No livro Simplesmente Acontece, de Cecelia Ahem, a protagonista, Rosie, ao descobrir sua gravidez, abre mão de sua faculdade e passa um bom tempo desempregada. Fora da ficção, percebe-se, no Brasil, o alto índice de jovens que, na mesma situação, nem trabalham nem estudam (jovens nem-nem), e a necessidade de redução desse. Nesse sentido, considerando-se as duas principais causas dessa problemática: empecilhos familiares e o desemprego crescente, são imprescindíveis medidas para combatê-la.

À priori, a existência de empecilhos familiares e socioemocionais, como gravidez na adolescência, desilusão com a não aprovação no curso dos sonhos, além da necessidade de cuidar de pais e parentes ou ajudá-los em casa, faz muitos jovens sentirem-se desnorteados quanto ao futuro e impossibilitados de prosseguir com os estudos. Nesse contexto, dentre os 23% desse público no Brasil, a maioria, de acordo com o Ipea, é de mulheres e de baixa renda. O que pode evidenciar prováveis razões, dentre as quais se encontra a desigualdade de gênero, que induz a mulher a largar os estudos ou trabalho para cuidar da família e dos filhos, como no caso de Rosie, e a falta de condições econômicas para se deslocar e procurar emprego.

Ademais, a elevada taxa de desemprego, atingiu 12,7 milhões de pessoas, 12% da população, de acordo com o IBGE. Isso evidencia que o mercado não está favorável ao englobamento dos jovens, proporcionando um cenário de alta competitividade e necessidade de qualificação. Dessa forma, os adolescentes nem-nem estão encurralados, sem condições nem opções de trabalho ou estudo, apenas sendo “massacrados” pela concorrência. Tais circunstâncias podem trazer uma série de danos à economia do país, tendo em vista que a população jovem deve atuar como economicamente ativa, trabalhando, consumindo e garantindo a aposentadoria.

A partir disso, é imprescindível a criação de medidas que possam combater essa problemática e dar oportunidades a esse público. Dessa maneira, o Ministério da Economia aliado ao da Educação devem, em primeiro lugar, criar condições favoráveis para que esses jovens possam sair de casa para trabalhar ou estudar, através da construção de creches e do fornecimento de transporte público de qualidade; e, em segundo, fornecer oportunidades de emprego e estudo, por meio de cursos profissionalizantes, que já preparam para o mercado de trabalho, ou de programas como Jovem Aprendiz. Assim, as condições estarão mais favoráveis para evitar o que, infelizmente, aconteceu com Rosie.