A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 23/10/2019

Em sua obra “Utopia”, o escritor inglês Thomas More descreve uma sociedade perfeita, na qual o corpo social é padronizado pela ausência de problemas e conflitos. No entanto, o que se observa na realidade é diametralmente oposto ao que prega o autor. Visto que, os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil constitui uma barreira que dificulta a concretização das idéias de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto de fatores sociais, quanto culturais. Dessa forma, é necessária a discussão desses aspectos a fim de proporcionar o pleno funcionamento da sociedade.

Precipuamente, é fulcral pontuar que a ociosidade acadêmica e profissional entre jovens no Brasil deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tal recorrência. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da sociedade. No entanto, isso não ocorre no Brasil. Pois, devido à falta de atuação das autoridades, jovens em condições sociais desfavoráveis encontram barreiras ao seu ingresso no mercado de trabalho ou na vida acadêmica. Nesse sentido, essas barreiras são principalmente a falta de capacitação técnica e a baixa qualidade do ensino público básico no Brasil. Assim, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar fatores culturais como promotores do problema. Pois, segundo fontes do jornal El País, quase 70% dos jovens ociosos são mulheres. Partindo desse pressuposto, esse fator pode acentuar a transmissão intergeracional de problemas sociais. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que os fatores culturais contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.

Dessa maneira, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Logo, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas de União direcione  capital para as Secretarias de Defesa Social dos estados, que deverão investir na contratação de agentes comunitários, responsáveis por atuar junto aos jovens, direcionando-os aos centros de ensino técnico, o que vai viabilizar o seu ingresso no mercado de trabalho. Não obstante, o Ministério do Trabalho deve estabelecer efetivos mínimos de contratação de jovens mulheres, a fim de reverter o quadro problemático nesse segmento da população. Dessa forma, atenuar-se-á, a medio de longo prazo, os efeitos nocivos da ociosidade juvenil no Brasil e a coletividade alcançará a Utopia de More.