A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 24/10/2019
Crescimento econômico, desenvolvimento social e redução da desigualdade socioeconômica são apenas alguns dos grandes benefícios da participação dos jovens no ambiente laboral e educacional. Entretanto, tais efeitos positivos da superação da geração “nem-nem” encontraram obstáculos para a sua concretização, principalmente a negligência sociopolítica. Nesse contexto, é crucial um esforço mais significativo do Poder Público e de campos culturais do corpo civil, com o intuito de promover esse direito constitucional à população.
A priori, cabe salientar como a apatia política contribui para o descaso aos jovens brasileiros. Sob essa óptica, embora sejam evidentes os avanços legais de prerrogativas inerentes ao público juvenil, como a criação do ECA e o Estatuto da Juventude, nota-se, na prática, a insuficiência de tais mecanismos. Prova dessa relação antagônica e retrógrada são os dados do IBGE, os quais mostraram, em 2019, a média de 25% desse grupo não estudam e não trabalham. Destarte, ao ferir frontalmente princípios institucionais e auxiliar na permanência desse quadro, é substancial a reformulação da postura governamental.
A posteriori, a desinformação corrobora para a persistência do dilema. Nessa linha de raciocínio, o baixo número de debates eficientes em campos midiáticos e comportamentais- a exemplo da mídia e das escolas- ocasiona a apatia de grande parcela populacional, favorecendo, assim, a transformação da geração “nem-nem” em um problema restrito às vítimas. Sob esse aspecto, tal realidade contrária a lógica do filósofo John Rawls, o qual alegava a importância de discussões sociopolíticas em áreas públicas para a materialização de uma sociedade justa e democrática.
Em síntese, com o objetivo de reduzir o número de jovens ausentes em áreas civis, o Ministério da Educação-órgão responsável pela conduta cidadã- deve criar, por meio de parcerias público-privadas e dedução fiscal para as empresas colaboradoras, projetos de incentivo à permanência dos jovens nas instituições educacionais, bem como a criação de cursos técnicos gratuitos para facilitar a entrada no mercado de trabalho formal. Além disso, compete às organizações sociais, por intermédio da mídia engajada, maximizar as discussões com especialistas socioeconômicos, os quais devem propagar a necessidade e os benefícios de combater os altos índices de jovens que não estudam e não trabalham, com o fito de fomentar o pensamento crítico e solucionar o atual cenário da participação juvenil.