A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 24/10/2019

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, observa-se na realidade contemporânea o oposto do que o autor prega, uma vez que os altos índices de jovens inativos no estudo e no trabalho apresentam barreiras que dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da passividade estatal, quanto da falta de incentivo dentro das residências. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade.

Em primeiro lugar, é fulcral pontuar que a negligência ao trabalho e ao estudo por parte dos jovens deriva da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos capazes de coibir tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o Estado é o responsável por garantir o bem estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de atuação das autoridades, os jovens não dispõem de alguns recursos, como projetores, disponibilidade de professores e infraestrutura adequada, os quais são extremamente necessários para um ensino de alta qualidade. Consequentemente, as taxas de evasão escolar aumentam significantemente e abrem portas ao desemprego. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.

Ademais, é imperativo ressaltar a falta de incentivo familiar como promotor do problema. De acordo com pesquisa realizada pelo Datafolha, 58% dos jovens entrevistados em bairro popular afirmaram que os pais nunca foram de cobrá-los pelos estudos e nem acompanhavam o desempenho escolar dos filhos. Partindo desse pressuposto, é indiscutível a persistência da falta de preocupação para com a prole em relação aos estudos e futuro profissional, a qual gera graves consequências ao país, uma vez que a população economicamente ativa está diminuindo e isso acarreta no aumento de dívidas internas. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que a falta de incentivo dentro das residências contribui para a perpetuação desse quadro deletério.

Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço dessa problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o alto índice de jovens fora das escolas e desempregados, necessita-se, urgentemente, do direcionamento de capitais por parte do Tribunal de Contas da União, os quais, por intermédio das prefeituras municipais, será revertido em melhorias na infraestrutura das escolas, através da compra de projetores, maior disponibilização de professores e nos ajustes no ambiente de sala, como lousas. Por outro lado, as empresas privadas em parceira com a mídia televisiva devem promover e financiar campanhas,as quais serão passadas em horários de pico, a fim do incentivo à educação. Desse modo, atenuar-se-á o impacto nocivo e a coletividade alcançará a Utopia de More.