A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil

Enviada em 25/10/2019

Com o avanço do sistema capitalista, a necessidade do indivíduo estudar para ser um profissional qualificado no mercado de trabalho tornou-se algo não só comum como praticamente obrigatório no Brasil. No entanto, quase um quarto dos jovens entre 18 e 24 anos encontram-se em situação de estagnação, não estudando e nem trabalhando, sendo intitulados por isso de  jovens “nem-nem”. Sendo uma sociedade patriarcal de costumes arcaicos e preconceituosos como é a brasileira, esse grupo minoritário é tratado muitas vezes com desprezo e indiferença da população, mas para que esse fato social seja solucionado, cabe avaliar-se os entraves vinculados a essa inercial problemática.

Em primeira análise, destaca-se como um desses entraves, o governo brasileiro omisso frente a essa situação. Segundo uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), as principais causas da falta do interesse do jovem em relação aos estudos e trabalho se deve principalmente pelo fato de muitos desses terem problemas socioemocionais e cognitivos, os quais não são devidamente tratados em escolas e ambientes de saúde. Nesse contexto, adolescentes com problemas emocionais não tratados estarão fadados a se tornarem jovens sem um rumo certo na vida, corroborando não só para os índices crescentes de jovens “nem-nem”, como também para taxas de suicídio e depressão.

Faz-se mister, ainda, salientar a falta de relações sociais familiares mais fortes como impulsionador do problema. Para o filósofo polonês Zygmunt Bauman, a tão chamada sociedade pós-moderna é caracterizada por relações sociais voláteis como líquidos, exacerbando o individualismo e deixando de lado as formas de relacionamento mais primitivas. Análogo a isso, pais alienados pelo sistema capitalista de se viver muitas vezes transferem esse desejo egoísta a seus filhos, os incitando a tomarem atitudes baseadas apenas na renda ou status que essas possam trazer, e deixam para segundo plano a felicidade de seu filho. Com isso, mais jovens encontram-se perdidos em meio a tantas cobranças e por conseguinte, estagnados frente a tantas pressões.

Infere-se portanto, que medidas devem ser exercidas para que esse problema seja solucionado. Para tanto, cabe ao Ministério da educação, através de aulas elucidativas e materiais didáticos, incentivar a proficiência dos adolescentes em áreas de seu interesse e administrar palestras com pais e filhos, com o intuito de estabelecer um núcleo familiar menos rígido e mais baseado na felicidade do indivíduo. Já ao ministério da saúde, cabe o dever de investir pesadamente no setor psicológico de hospitais, aumentando o número de profissionais capacitados para ajudarem os jovens que estejam passando por doenças de ordem psíquica como depressão e que também os estimulem, através de atividades em grupo, a desenvolverem aptidão social necessária para viverem na sociedade em que estão inseridos.