A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 25/10/2019
Brás Cubas,personagem fictício do livro machadiano “Memórias Póstumas de Brás Cubas”,é um grande reflexo da geração “nem-nem” da contemporaneidade,pois assim como o personagem os jovens brasileiros estão em uma fase de nem trabalhar nem estudar,vide o crescimento exponencial dessa categoria no âmbito civil. Nesse sentido,tanto as questões socioculturais como a ineficácia do plano educacional e profissionalizante das escolas catalisam as consequências desse panorama.
A priori,é importante destacar a formação patriarcal da sociedade brasileira e como isso ainda é um “peso social” para as escolhas a serem feitas nas relações interpessoais,tendo em vista que dentro da geração “nem-nem” as mulheres são os principais alvos da repulsão escolar e profissionalizante. De acordo com o IBGE,em 2018 de 47,3 milhões de jovens 23% não trabalham nem estudam,entre esses,24,8% são mulheres. Lastimavelmente,é possível explicar esse contexto devido aos altos índices de gravidez precoce e a desigualdade de gênero na sociedade brasileira,uma vez que a necessidade de cuidar da casa e dos filhos,precocemente, afasta as mulheres do convívio escolar e ,por consequência,não é bem vista por empresas ou outros setores trabalhistas por ser “dona de casa”,ficando,dessa maneira,a mercê dos empecilhos de uma sociedade segregacionista.Dessa forma,nota-se como as questões culturais são fatores relevantes na formação da geração “nem-nem”.
Outrossim,ao passo que as questões socioculturais afetam a vida social de jovens brasileiros, a inaplicabilidade de uma educação proficiente e voltada para a profissionalização dos adolescentes os afastam do ramo laboral formal. Conforme o conceito de “Educação Bancária” do educador Paulo Freire, existe no Brasil a insistência de uma educação mecânica e arbitrária. Assim,os jovens não se sentem inseridos e preferem não irem à escola e,por esse local não oferecer medidas profissionalizantes,buscam o mercado informal,por meio do empreendedorismo, ou seja,tornam-se autônomos. Nessa perspectiva, a insistência de um modelo inoperante de ensino irá refletir,em um futuro próximo,na formação de uma geração “des-des” - desmotivada e despreparada.
Portanto,por ser tratar de um problema que afeta o equilíbrio do tecido social,cabe,em primeiro plano, ao Ministério da Saúde,em conjunto com ONG’S,disseminar campanhas nas comunidades sobre a importância de uma educação sexual na prevenção de gravidez precoce,por meio de palestras e acompanhamento mensal dos adolescentes,com o intuito de prepará-los para os empecilhos de uma sociedade patriarcal. Ademais,cabe ao Ministério da Educação, introduzir projetos inovadores nas escolas,por meio da inserção do jovem como centro pedagógico, com o fito de remodelar o ensino. Depois disso,a geração “nem-nem” ficará apenas na figura de Brás Cubas.