A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 28/10/2019
O descaso do Poder Público com a formação educacional e a inclusão dos jovens no mercado de trabalho é histórica no Brasil. Tal fato é ilustrado na obra de Jorge Amado, que narra - em “Capitães da Areia” - a saga de um grupo de adolescentes marginalizados, sem estudo ou emprego, na Bahia de meados do século XX. Em face da persistência desse problema, é indubitável que o Estado tem falhado em garantir acesso ao ensino básico e à qualificação profissional para os jovens no País. Nesse contexto, faz-se preciso analisar as causas e as consequências dessa mazela social, e propor soluções para reduzir os índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar que os jovens “nem nem” deveriam estar dedicando-se, prioritariamente, aos estudos. Porém, menos da metade desses adolescentes têm dedicação integral aos estudos, conforme dados do IPEA. Nesse sentido, é indiscutível que a baixa escolaridade dificulta seu ingresso no mercado de trabalho. Esse quadro é ainda mais preocupante em relação às meninas, que são maioria entre os brasileiros “nem nem”, segundo pesquisa do IBGE, muitas vezes por abrirem mão dos estudos para cuidarem dos filhos. Desse modo, é flagrante a necessidade de políticas públicas específicas para atacar as causas que levam os adolescentes a tornarem-se “nem nem” no País.
Em consequência da falta de escolaridade e qualificação profissional dos jovens, a nação brasileira se depara com uma situação insustentável do ponto de vista socioeconômica. Prova disso, é que quase 24% da população jovem do País nem estuda nem trabalha, atualmente, conforme mostra pesquisa do IPEA. Nesse cenário, não há dúvidas de que a tendência natural é de que esses milhões de brasileiros “nem nem” tenham ainda mais dificuldade de ingressar no mercado de trabalho futuramente, levando-se em conta a exigência crescente por conhecimentos muitos complexos para atender à demanda de mão-de-obra qualificada no mundo globalizado após a 4ª Revolução Industrial.
Diante do exposto, para combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil, urge que o Ministério da Educação atue, em parceria com grandes empresas do setor privado nacional, para pôr em prática um política de estado para oferecer bolsas de estudo para manter os jovens na escola até que completem pelo menos, o ensino médio. Esse benefício deve priorizar adolescentes pobres, especialmente, as meninas, que têm enfrentado maiores dificuldade para estudar ou trabalhar no Brasil. Como efeito, consoante à Teoria Kantiana de que a educação garante autonomia ao indivíduo, os jovens brasileiros terão a opção de seguirem seus estudos ou obterem um boa vaga de emprego para não perderem-se na vida como os “Capitães de Areia”