A necessidade de combater os altos índices de jovens que nem estudam nem trabalham no Brasil
Enviada em 30/10/2019
Nas palavras de Milton Santos, “vivemos em um mundo confuso e confusamente percebido”. Nesse sentido, nota-se dentre os brasileiros a permanência de uma visão pejorativa ao que tange à população em desemprego ou que não está engajada a um sistema de ensino. Com efeito, essa ótica distorcida da realidade repercute na incapacidade de diminuição da incidência de jovens em estado de letargia social. Isso se dá pelo sistema econômico atual em conjunto a ausência de políticas públicas eficientes.
Destarte, em primeiro lugar, a Constituição Federal brasileira foi instituída pelo povo na finalidade de dirimir desigualdades e afunilar injustiças. Entretanto, é aparente que os governantes esqueceram-se dos direitos individuais e coletivos da camada popular, tendo em vista que privilegiam um sistema de obtenção de lucro em detrimento do desenvolvimento da população. A este ponto, jovens, sobretudo hipossuficientes, padecem em sonhos e se encontram frente a verdadeiros estamentos sociais que perpetuam a condição de trabalhador informal, aumentam as incidências de crimes e evasão escolar.
Em segundo lugar, Aristóteles - filósofo grego - outrora argumentou que a política deve ser utilizada de modo que por meio da justiça o equilíbrio seja alcançado. Seguindo esse viés, a crise de representatividade existente entre os jovens e ao sistema político é evidenciada nos abismos entre as necessidades desse público e as políticas estatais voltadas a eles. Em decorrência dessa injustiça, é crescente o número de pueris que habitam as ruas ou estão em subempregos, tal como pode ser percebido em pesquisa feita pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada) em 2016.
Assim, frente paradoxal impasse entre a necessidade de readequação do sistema econômico-trabalhista junto ao pouco incentivo à políticas públicas, medidas devem ser tomadas. Ante esse espectro, inicialmente cabe ao Congresso Nacional elaborar leis que ampliem e facilitem a entrada de jovens no mercado de trabalho, para isso tornará obrigatório que médias e grandes empresas incluam 30% de aprendizes ao quadro de funcionários, onde metade seja oriundo de escolas públicas, estimulando, desse modo, o desenvolvimento laboral irrestrito. Subsidiariamente, o mesmo poder legislativo, em sincronia com o Ministério da Educação deverá estabelecer leis que, por meio do redirecionamento do PIB, sejam ampliadas as escolas profissionalizantes no país, na tentativa de afunilar desigualdades.
Haja vista, portanto, a incidência de olhares turvos quanto aos denominados “nem-nem”, vê-se que a percepção superficial da realidade trás junto a si a insistência em impasses antigos, como os altos índices de jovens longe dos estudos e do mercado de trabalho. Todavia, seguidas as medidas supramencionadas, a visão social frente a esse fenômeno, como propunha Milton Santos, será esclarecida e, com isso, far-se-á justiça a fim de alcançar os ideais aristotélicos.